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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Contra-Ataque: Já vai?

    Sérgio Monteiro

     

    Agora é oficial. Sampaoli não continua o seu trabalho no Atlético. Seduzido pela proposta do Olympique de Marselha, da França, o treinador se despediu do clube através de uma carta. Parece que finalmente ele percebeu que era preciso comunicar a sua saída à direção do Galo e à torcida alvinegra, por mais que todos já soubessem do seu destino. Faltava coragem ao argentino? Ou era um jogo para testar a paciência da diretoria e forçar a demissão? Afinal de contas, se fosse demitido, receberia a multa pelo rompimento do contrato. Fato é que ele avisou antes na França, na Argentina, na imobiliária…por último, avisou ao clube. Uma postura que só reforça que a sua saída é um alívio para todos.

    Coincidência ou não, Sampaoli costuma romper contratos e projetos e dificilmente engata um segundo ano consecutivo à frente de algum clube. E a saída costuma ser pela porta de trás. Ou seja, não há novidade alguma na forma como ele deixa o Atlético. O torcedor, no entanto, se mostra dividido. Enquanto parte da torcida alvinegra quer o máximo de distância possível, ainda tem uma parcela significativa que prefere o afago às pedras. Mas os últimos fatos fizeram a sua rejeição crescer, é verdade. Não chega a ser como a de Nego Di ou KarolConká, mas atinge níveis assustadores também.

    É inegável que o trabalho do treinador trouxe evolução ao time do Atlético. Das eliminações precoces na Sul-Americana e na Copa do Brasil ao título estadual e ao G-4 do Brasileirão, muita coisa mudou, a começar pela forma de se impor diante de seus adversários. Sampaoli é um técnico ofensivo e isso ninguém questiona. Outra mudança inquestionável está no elenco atleticano. Após a chegada do treinador, foram contratados jogadores de renome e cobiçados por outros grandes clubes brasileiros e estrangeiros.

    Mas o time perdeu o fôlego na reta final do Campeonato Brasileiro. Exatamente na hora de decidir o título, o Galo não conseguiu se impor diante de adversários mais fracos tecnicamente, como Goiás, Fluminense e Bahia e viu a briga pela taça se restringir a Flamengo e Internacional. Sem ganhar o Brasileirão há 50 anos, o atleticano ficou com a sensação de que faltou um algo a mais para quebrar o jejum, o que parecia tão próximo de se tornar realidade.

    Estranhamente, um treinador com obsessão pelo topo não conseguiu criar em sua equipe o sentimento de campeão. Aliás, o próprio Sampaoli, após a derrota em Goiânia para o Goiás, em sua entrevista coletiva disse que em momento algum havia pensado em título. Como assim? Ganhando aquela partida o Atlético estaria diretamente na briga. O que pode ter feito o time desistir tão fácil da chance de ser campeão?

    Além disso, Sampaoli exagerou na chatice. Ranzinza, gerou insatisfação entre funcionários do clube e o jogadores, embora ninguém confirme. Mostrou-se impaciente quando questionado pela escalação de alguns de seus jogadores preferidos, em detrimento de outros que tiveram poucas chances. Ameaçou deixar o clube várias vezes, sempre que algo não estava a seu contento. Ou seja: de fato, foi uma mala sem alça.

    Para piorar ainda mais a situação, é responsável diretamente pelo desgaste causado nessa reta final. Desde que chegou a proposta do Olympique de Marselha, tem dado claros sinais de que trocaria o Galo pelo clube francês, mas em momento algum assumiu essa postura. Perguntado pela imprensa, se esquivou. Preferiu o silêncio à sinceridade, em uma atitude covarde e desrespeitosa com o torcedor atleticano.

    Uma postura que não condiz com a sua idade. Aos 60 anos, Sampaoli já deveria ter aprendido a importância do respeito pelo próximo. Aliás, isso é pedir muito para quem protagonizou as cenas melancólicas que vimos em Recife, no domingo. Visivelmente, o treinador provocou aquela expulsão para se livrar do Atlético o mais rápido possível. Afinal de contas, a premiação para a classificação para a fase de grupos já está garantida, não é mesmo? Já vai, Sampaoli? Que bom! Já vai tarde.

     

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    Crédito – Marlon Costa / Pernambuco Press