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  • Contra-Ataque: Hulk com a 9 e Cuca no banco: o Galo que a Massa quer

    Sérgio Monteiro

    Hulk com a 9 e Cuca no banco: o Galo que a Massa quer

     

    E agora? Não dá mais pra xingar o Hulk, né? E o que fazer com o #ForaCuca? Nem o Guga, depois do jogo de terça, dá pra criticar. E não é que até o Vargas entrou no fim e marcou o seu gol? E TchêTchê, que foi um dos melhores em campo e dessa vez, como retrata o meme que anda circulando pelas redes sociais, ‘entregou para o lado certo’? O atleticano, ainda satisfeito com a atuação e a goleada do time diante do Cerro Porteño por 4 a 0, pela terceira rodada da fase de grupos da Libertadores, perdeu praticamente todas as chances de brigar com o time.

    Digo quase porque, mesmo diante de uma atuação impecável do Galo, o torcedor sempre encontra um porquê. Em grupos de atleticanos, logo após a partida, eu vi questionamentos ao goleiro Éverson, que saiu errado em algumas bolas e quase entregou um gol, que o zagueiro Alonso fez questão de evitar para que a vitória de terça não sofresse um arranhão sequer. Recebi, ainda no intervalo, mensagem criticando o TchêTchê. Ora, bolas! Se essa partida do TchêTchê não foi boa, é sinal de que só o Beckenbauer serve para a Massa.

    Que vitória do Galo! Era tudo o que o torcedor cobrava de Cuca e seus comandados. Vitória que vale a liderança provisória do grupo, que encaminha a classificação, embora ainda faltem três jogos, sendo dois fora de casa, e o que é melhor: vitória que dá a tão desejada paz ao treinador atleticano para a sequência do trabalho. O Atlético na terça não lembrou o time de Sampaoli em alguns momentos do ano passado. Foi melhor. Sobrou em campo e não fez mais porque a trave, o goleiro adversário e a falta de pontaria de Keno e Sasha, já no apagar das luzes, assim não permitiram.

    O time, é verdade, já vinha dando mostras de recuperação do bom futebol apresentado em algumas partidas de 2020. Contra o América de Cáli, pela Libertadores, e contra o Tombense, pelo Campeonato Mineiro, o desempenho já estava voltando a agradar o exigente torcedor atleticano. Mas faltava, ainda, aquela atuação que enchesse os olhos. E ela veio na terça, diante do adversário mais difícil desta fase da Libertadores. O Cerro pagou a conta, que já estava começando a ficar cara.

    Não por acaso o crescimento do time se dá no momento em que o chuveirinho para a área deixa de ser a melhor opção e em que Cuca descobre a posição certa para o atacante Hulk. Contratado a peso de ouro, o ex-jogador da Seleção Brasileira claramente encontrou dificuldades para jogar aberto pela ponta, no lugar de Savarino. Centralizado, ele chegou à marca de cinco gols nos últimos três jogos, sendo dois deles na goleada sobre os paraguaios.

    Por ironia do destino, a prioridade do clube no mercado era a aquisição de um camisa 9, um homem-gol. E também por obra desse mesmo destino, foi jogando ao lado de Savarino que Hulk encontrou o seu melhor futebol desde a estreia, no início do estadual. Que o técnico Cuca e a diretora alvinegra concentrem seus esforços para reforçar a zaga do time, que ainda comete falhas que podem comprometer o bom momento.

    Aliás, passa também pela zaga a evolução do time nas mãos de Cuca. Réver, apesar da condição inegável de ídolo, já não tem o mesmo vigor de antes. E a entrada de Igor Rabello no time titular fez o desempenho da defesa melhorar consideravelmente. O momento é tão bom que nem mesmo a lesão do goleiro Rafael, que tanto agrada o torcedor, pode ser lamentada. Revelado nas categorias de base do clube, o jovem Matheus Mendes foi acionado no último final de semana diante do Tombense, após expulsão de Éverson, e pegou até pênalti.

    Que o time atleticano aproveite o momento e continue em ascensão, pois o futebol, assim como a vida, é cíclico e a roda gira rápido demais. Cuca sabe que ao primeiro sinal de retrocesso o #ForaCuca volta com força total, tirando o seu sono e o de todo atleticano. Não cabe aqui também criticar o torcedor pela incoerência que o move. É ele a razão para que o clube exista e se não fosse a paixão e a devoção que vêm das arquibancadas (ultimamente das redes sociais), o futebol não teria a menor graça. Por sorte, não somos nós, torcedores, que assinamos o cheque e as rescisões de nossos clubes.

     

    Imagem – Crédito – Pedro Souza/Atlético