Contra-Ataque: Hora de desafiar o improvável

Sérgio Monteiro

Hora de desafiar o improvável

 

Com três vitórias e dois empates nas cinco partidas desde que assumiu o Cruzeiro, Vanderlei Luxemburgo devolveu ao torcedor o direito de sonhar com o retorno à Série A do futebol nacional. Possibilidade que ainda é bastante remota e que dependerá de uma campanha bem acima da média nesse returno. Para se ter uma ideia, o Coritiba foi o campeão simbólico do primeiro turno com 36 pontos. Caso repita a campanha do Coxa no returno, ainda não será dessa vez que a Raposa voltará para a primeira divisão. O cenário ainda é muito complicado e o cruzeirense vai precisar ter muita paciência ainda. Mas o trabalho está sendo feito e é preciso acreditar nele.

A Raposa ainda ocupa a 14ª colocação e em termos de pontos está mais próxima da zona de rebaixamento do que do G-4. Resultado de uma péssima campanha nos primeiros jogos da competição, sob o comando de Felipe Conceição e depois de Mozart. Foram apenas quatro vitórias no primeiro turno, um número que praticamente descarta, por si só, qualquer probabilidade de reação. Para conseguir a proeza, Luxa e seus comandados terão que conseguir ao menos 13 vitórias no returno. Em 19 partidas. Agora são 18, pois a primeira já veio contra o Confiança.

Esses números são baseados no histórico de acessos da Série B desde que ela passou a ser disputada em pontos corridos, com 20 clubes na disputa, em 2006. Apenas uma vez nesses 16 anos um time conseguiu o acesso com menos de 60 pontos: o Vitória, em 2007, com 59. Com 60, apenas Figueirense, em 2013, e Goiás, em 2018, garantiram a vaga na elite. Com 61 pontos, apenas em três anos foi possível o acesso: América-RN (2006), Sport (2011) e Cuiabá e Juventude (2020). Ou seja, a matemática azul precisa trabalhar com 62 pontos no mínimo como o ponto de corte. Com 21 pontos conquistados no turno, restam 41 para o acesso, fazendo conta por baixo. Alguns matemáticos  trabalham com a necessidade de se fazer ao menos 63 pontos.

Os próximos sete jogos serão cruciais para que o Cruzeiro continue sonhando com o acesso: CRB (fora), Goiás (fora), Ponte Preta (casa), Operário (casa), Vasco (fora), CSA (casa) e Guarani (fora). Uma sequência bem complicada, que rendeu apenas oito pontos no turno. Para continuar vivo, é preciso fazer praticamente o dobro agora. Esses jogos vão definir se a Raposa segue firme na busca pelo improvável ou se é hora de pensar na temporada de 2022. Pelo menos, o cruzeirense já respira aliviado com o risco de rebaixamento para a Série C. A tradição do clube e a segurança que Luxemburgo trouxe à equipe praticamente descartam essa possibilidade.

Mas para alcançar a proeza do retorno à Série A, o Cruzeiro precisa de algo a mais. Não bastará o trabalho da comissão técnica e dos jogadores. É preciso que a diretoria faça a sua parte, honrando os compromissos assumidos com o treinador. Salários precisam estar em dia, tanto para jogadores quanto para funcionários do clube. Luxa deixou bem claro que a receita passa pelo saneamento das finanças. E já se tem notícias de que nem tudo foi acertado.

E o torcedor, que anda bastante machucado, também precisa reagir. Com a volta da torcida nos jogos da Raposa, é preciso mais: ir ao estádio e empurrar o time para as vitórias. O público do jogo Cruzeiro x Confiança foi uma vergonha. Com a nova proibição da presença de torcedores em BH, os próximos jogos como mandante deverão ser na Arena do Jacaré. Ir ao estádio é obrigação para uma torcida que não aguenta mais ver seu time longe da elite. É a parte do sacrifício que cabe ao torcedor. Ou então é se acostumar com a Série B. O time já vestiu o verde da esperança. Agora é diretoria e torcida fazerem o mesmo.

 

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Crédito – Bruno Haddad / Cruzeiro