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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Contra-Ataque: Encosta o caminhão que ele está desgovernado

    Sérgio Monteiro

    “Encosta pra direita que atrás vem um caminhão desgovernado”, dizia um torcedor do São Paulo ao ver o time se aproximar do Atlético, então líder do Brasileirão. De fato, bastaram uns tropeços do time alvinegro para o Tricolor assumir a ponta. Àquela altura do campeonato, os paulistas comandados por Fernando Diniz pareciam mais um carro de Fórmula 1. Pra ser mais exato, a Mercedes de Lewis Hamilton. Passou e sumiu, abrindo uma distância de sete pontos, improvável de ser tirada por qualquer adversário.

    Ainda na liderança do Brasileirão, o São Paulo de Diniz vê os adversários se aproximarem e precisa se reinventar pra ficar com a taça

    Mas a 28ª rodada, disputada parcialmente no meio da semana, faz parecer que aquele torcedor tinha razão. O veículo que passou está desgovernado. Em alta velocidade sim, mas o seu condutor demonstra estar com problemas. Na quarta-feira, o caminhão foi atropelado por um metrô em Bragança Paulista. E o placar final – Bragantino 4 x 2 São Paulo – ficou muito barato para o Tricolor, que aos três minutos já perdia a partida e aos 17 já havia sofrido três gols.

    Tivesse o Bragantino aproveitado metade das chances criadas no jogo e seríamos testemunhas de uma das maiores goleadas da história recente do futebol brasileiro. Não é exagero pensar em oito ou nove gols do time da casa, que aproveitou o desgoverno do caminhão que estava à sua frente. E não é novidade pra ninguém que o segredo para vencer o São Paulo é marcar a saída de bola. Três rodadas antes o Corinthians fez o mesmo, mas venceu de forma tímida, bem diferente do que fez o Bragantino na quarta-feira.

    Aliás, o próprio Bragantino já havia feito isso no Campeonato Paulista. Ou seja, Diniz precisa, se quiser erguer a taça em fevereiro, mudar o jeito de conduzir o seu time. Algo difícil de imaginar para quem acompanha a carreira do treinador. Mas é preciso se reinventar. O estilo de jogo do São Paulo encanta e é diferente do que temos visto há anos no futebol brasileiro, mas é preciso ter um plano B. O mesmo pode ser dito sobre o Atlético de Sampaoli. Caso contrário, viram presas fáceis para alguns adversários, como vimos nesse Brasileirão.

    Diniz, além do atropelo sofrido pelo Bragantino, chamou para si um desgaste desnecessário ao discutir publicamente com um de seus jogadores de confiança, o meio-campista TchêTchê. Em meio a palavras impublicáveis, o comandante chamou o jogador de ingrato, perninha e mascaradinho. Esse tipo de “conversa” é considerada normal no meio futebolístico, mas não deve ser em público e sim em um ambiente mais reservado, como o vestiário. Diniz parece não ter percebido ainda que, com a ausência da torcida nos jogos, os microfones captam com mais facilidade as palavras ditas à beira do gramado.

    Provavelmente, este é um assunto que já foi resolvido internamente, mas o desgaste já foi criado. E demonstra, assim como a atuação do time na quarta-feira, que realmente não se trata de um carro de Fórmula 1 e sim de um caminhão desgovernado em alta velocidade. Para sorte do Tricolor, o Flamengo também perdeu na rodada. Aliás, Ceni também dá mostras de que há sérios problemas na condução da equipe. Atlético e Palmeiras tiveram suas partidas adiadas. Mas Internacional e Grêmio venceram e se colocam na disputa.

    O estrago foi pequeno e a situação ainda parece tranquila para o São Paulo, que agora está seis pontos à frente do segundo colocado, o Inter. Mas Atlético, Flamengo, Grêmio e Palmeiras têm jogos a menos e podem diminuir ainda mais a distância para o líder, o que promete um campeonato disputado até o final. E é bom lembrar que caminhões desgovernados não costumam seguir adiante. Se tiver blitz depois da curva, são os primeiros a ficarem pelo caminho.