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  • Contra-Ataque: Atlético, gostamos muito de você

    Sérgio Monteiro

     

     

    Atlético, gostamos muito de você

     

    A derrota acachapante para o Fluminense é o retrato do Atlético em 2022. Uma espécie de crônica da morte anunciada. Infelizmente. Não é de hoje que o time mostra um futebol pouco confiável e, salvo algumas exceções, as atuações sem brilho e pouco convincentes refletem bem a temporada alvinegra. Muito pouco para quem vem de um ano excepcional.

    O jogo dos sete erros começa com a contratação de Antonio Mohamed para a sucessão de Cuca. Pela forma como se deu e pela escolha em si. Depois de mais de um mês implorando pelo sim de Jorge Jesus ou de um portuga qualquer, ‘El Turco’ foi, literalmente, o que sobrou. O ‘bom e barato’ que estava na cara que não daria certo. Que me desculpe a ala da hashtag “fechadocomoturco”, mas é fato que já não deu certo. E faz tempo.

    Gente boa, Mohamed é. Essa talvez seja a única unanimidade envolvendo o seu nome desde a chegada ao Atlético, no início do ano. Mas isso não basta. E me parece muito estranho que a diretoria teime em pensar o contrário. Já se vão seis meses e ninguém viu o trabalho até agora. Quer dizer, uns parecem ter visto, mas quando questionados saem pela tangente: “colocar quem no lugar?”. Esse é o hit do momento e infelizmente desbancou o “Ai, credo, o Galão ganhou mais uma vez”.

    Sinceramente, esse não é um problema do torcedor. Temos um ótimo diretor de futebol e uma diretoria extremamente competente. O pepino é todo deles. Mas antes eles precisam se questionar sobre qual é a do Atlético em 2022? É ser protagonista novamente ou se escorar nos títulos de 2021? Se a resposta for a primeira opção, já passou da hora de devolver o turco para a Argentina. Ou para o México, sei lá. Caso optem pela segunda, é vida que segue. Às vezes a sorte resolve sorrir pra gente, né? Porque só com muita sorte mesmo. Na bola, já está claro que não vai ser.

    A boa notícia é que não há terra arrasada. O time titular é praticamente o mesmo que há seis meses era, com sobra, o melhor do Brasil. Ainda que o elenco tenha sofrido baixas importantes – sem haver reposição à altura – dava e dá pra esperar mais desse Atlético de 2022. Mas se continuar empurrando com a barriga, à espera de um milagre, teremos de esperar pela versão 2023 mesmo. Depois que for eliminado da Libertadores e da Copa do Brasil, será tarde demais para abrir os olhos.

    Obviamente o Mohamed não é o único culpado. Mas a sequência de erros, que envolve também diretoria e jogadores, acaba passando pelas mãos do técnico de todo jeito. O time está nitidamente desmotivado, mal posicionado em campo e pouco dialoga durante os jogos. Antes de mais nada, é bom que se diga que a desculpa da falta de tempo para treinar é para todos os times e não exclusividade do Atlético. Encontrar oportunidades e formas de ajustar o time em meio a um calendário surreal também faz parte do currículo de um bom treinador. Infelizmente, o Turco demonstra que, além de um cara simpático, é apenas um entregador de coletes. O silêncio ensurdecedor à beira do gramado, a falta de jogadas além de chutões para o ataque, a falta de variedades táticas: isso tudo é na fatura do treinador mesmo.

    Infelizmente a expectativa criada não corresponde à realidade atleticana em 2022. O timaço do ano passado foi se tornando, aos poucos, uma presa fácil para os concorrentes. Hoje qualquer Avaí – com todo o respeito – sabe exatamente o que fazer para nos levar um ou três pontos. Não por acaso, os recordes e números alcançados por esse mesmo time foram caindo por terra, um a um. Invencibilidade como mandante, no Mineirão, na Libertadores, defesa segura, ataque voraz. Isso tudo vai para os quadros da parede. Hoje, Tolimas, Américas e Fluminenses são fantasmas que voltaram a nos perturbar. O supercampeão novamente opta pelo “se não for sofrido não somos nós”. A vida é feita de escolhas e infelizmente ao torcedor cabe apenas apoiar, gritar, empurrar, chorar, rir, comemorar, se indignar. O cheque não somos nós que assinamos.

    Sim, o Turco nos tirou, junto de tantas invencibilidades, o brilho nos olhos, a alegria. Mesmo assim, nós gostamos muito de você, Atlético. Nossa relação de amor ninguém é capaz de rasurar. Só não dá, no momento, pra chamar de Galo. Tem que ser Atlético para você ver que a coisa está ficando séria. Afinal, com sentimento não se brinca.

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