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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Contra-Ataque: Ai que saudade “d’ocê”

    Sérgio Monteiro

     

     

    Ai que saudade “d’ocê”

     

    Já se vão cinquenta anos dede o nosso último encontro. Muita gente zomba disso, sabia? Mas eu não dou a mínima pra essa gente. Sempre tive dó dessa gente que só está junto na alegria, sabe? Eu prefiro gente de verdade, que chora quando é preciso, sofre junto e sabe dar a volta por cima. Esse povo que me segue onde eu vou, independente da maré estar cheia ou baixa. Sabe como?

    Pois é. Foi em 1971 que nos conhecemos. Aliás, eu fui sua primeira companhia. Já cobiçada por tantos, mas toda minha, só minha. Ah como teve gente com inveja. Nos distanciamos, é verdade. Mas a vida é assim mesmo: a gente vai e vem sem ao menos se dar conta de que os anos estão passando. Quando te disserem que ela é curta, acredite. É trem bala, como diz a Ana Vilela. E a gente é passageiro, prestes a partir.

    Só que eu não poderia jamais partir sem estar com você novamente. É bem verdade que eu me diverti por aí com outras. Umas sul-americanas que me permitiram até mesmo sonhar em ser o dono do mundo. Essas coisas que sobem à cabeça, sabe? Com uma dessas desfilei, fui ao outro lado do mundo, trajado de gala.

    Talvez tenha sido meu auge, admito. Foi um relacionamento intenso, que fez argentinos, paraguaios e até mexicanos caírem por terra. Todos querendo me passar a perna, mas acabou que quem deu a rasteira fui eu mesmo, no último ato, diante de 60 mil fãs alucinados. Há quem diga que foi alguém lá de cima que deu a rasteira, mas fato é que o gringo se esborrachou no chão e eu levei a melhor. Isso foi em 2013, nem faz tanto tempo assim.

    Teve uma outra que fez sucesso também, viu? Um flerte antigo, que em 2014 se tornou real. Essa era brasileira mesmo, mas tão cobiçada quanto à sul-americana e quanto você. Gente aqui da vizinhança dizia que eu jamais a conquistaria. Mas foi em uma disputa com essa gente mesmo que dei a volta por cima. Levei minha turma à loucura, dando pinta de que não teria êxito, pois tinha um paulista e um carioca no meio do caminho. E esse pessoal do eixo você sabe como é: pega pesado mesmo, nem que seja nos tribunais. Mas não teve jeito: eu sorri pra ela, ela sorriu pra mim e aí você já sabe: é Caixa!

    Por fim, mostrei pra muita gente que humildade vale mais que arrogância, que lutar com amor é mais importante do que ter vaidade. Por falar nisso, esse pessoal, que também já flertou contigo no passado, anda bem sumido, viu? Não espere por eles tão cedo. Se bobear, esses você não verá mais. A não ser que mudem de nome e CPF e venham fantasiados. Caso contrário, pode apagar da memória porque não voltam mesmo. Nem daqui 50 anos.

    Diferente de mim. Demorei, mas você sempre soube que eu voltaria, não é mesmo? Eu não me esqueci de você em momento algum e até tentei voltar antes, mas os juízes não permitiram. Não havia juiz que aceitasse fazer o nosso casamento. Eu ia chorando pela estrada, mas o que eu podia fazer? Manda quem pode e obedece quem tem juízo, não é mesmo? Mas hoje estou aqui, te desejando como sempre. E é tão bom ver que você me esperou. Você continua linda, deslumbrante. Faça as malas e vem comigo que agora é pra valer! Afinal de contas, eu gosto mesmo é “d’ocê”!

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