Contra-Ataque: Agora é guerra

Sérgio Monteiro

 

Agora é guerra

 

Classificado para a semifinal da Copa do Brasil, o Atlético já sabe quem vai enfrentar na briga por uma vaga na decisão: o surpreendente Fortaleza do argentino Juan Pablo Vojvoda. Um adversário complicado e que merece todo o respeito por parte dos atleticanos. Engana-se quem até hoje pensa que “camisa ganha jogo”. Aliás, o Fortaleza é um dos três times que derrotou o Galo no Brasileirão. O único a conseguir o feito em terras alvinegras. Isso, por si só, já deveria ser o suficiente para ligar o alerta atleticano.

Cuca sabe disso e certamente já vem estudando a melhor estratégia para enfrentar o time cearense que, aliás, foi o adversário alvinegro no último final de semana. O treinador alvinegro, que faz um louvável trabalho na temporada, tem um trunfo para o confronto da semifinal, no mês que vem: o atacante Diego Gosta. O ‘matador’ atleticano entrou nas últimas três partidas e o saldo é bastante positivo: um gol na estreia, contra o Bragantino, e uma participação que mereceu destaque diante do Fluminense.

Com faro de gol e muita intimidade com a pelota, Diego Costa é a tal da cereja do bolo nessa versão atleticana de 2021. O companheiro que Hulk parecia estar esperando desde que chegou. Fatalmente, os dois se entenderão muito bem e quem ganha com isso é o Atlético. Não demora muito mais para que o centroavante conquiste o seu espaço na equipe titular, o que vai acontecer antes mesmo da próxima fase da Copa do Brasil.

Mas agora é hora de mudar a chave. Amanhã tem o Sport, pelo Brasileirão, terça tem o Palmeiras, pela Libertadores. Um  calendário maluco ao qual o Galo e o atleticano terão que se adaptar. Mal dá pra comemorar uma vaga conquistada, pois dois ou três dias depois já tem um compromisso por outra competição pela frente. Esse é o preço que se paga por avançar em todas as competições. Um preço que o Atlético faz questão de pagar.

O fim de ano promete muitas emoções para os alvinegros. Líder do Brasileirão, classificado para as semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil. Parece até um sonho, mas é bastante real. A questão é saber lidar com isso e Cuca tem demonstrado saber. Aliás, o técnico tem mostrado uma evolução em seu trabalho que chama a atenção. Equilibrado, com uma leitura de jogo fora do comum, Cuca tem sido fundamental na trajetória atual atleticana. São vários os exemplos de partidas que foram vencidas com as mudanças do treinador para o segundo tempo. Não estou falando apenas de substituições de jogadores, mas sobretudo da postura do time.

Como o próprio treinador falou após a vitória diante do Fluminense, no entanto, o Galo só conquistou até aqui o Mineiro, mesmo com toda essa solidez e a campanha fora da curva. Chegar às fases finais é flertar com os títulos, mas é também se expor ao risco de eliminações que podem causar danos irreparáveis. Porque a vida é cruel, mas o futebol é ainda mais. E Cuca sabe bem que se o time não levantar nenhuma taça nesse final de ano, as cobranças serão enormes. É hora, portanto, de suar sangue dentro de campo. Coisa que o atleticano domina desde sempre.

Deixar a alma em campo é pré-requisito para vestir a camisa do Atlético. A história do clube é forjada dessa maneira e todos sabem disso. A guerra que se avizinha é a cara do time e de seu torcedor, sempre pronto a entregar o máximo quando o alvinegro está em campo. Ou seja: o mais difícil Cuca e o elenco já fizeram, que foi trazer o Galo até aqui. Agora, além de manter a qualidade do futebol apresentado durante todo o ano, a receita é encarnar o espírito alvinegro e lutar, lutar, lutar.

 

Imagem

 

Crédito – Fernando Moreno/AGIF