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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Contra-Ataque: A Messi o que é de Messi

    Sérgio Monteiro

     

    A Messi o que é de Messi

     

    A final da Copa América, entre Brasil e Argentina, acirrou um debate que vem ganhando terreno em solo brasileiro nos últimos anos e que ganhou ares de guerra nos dias atuais. Mas, independente disso, veio corrigir um erro que os deuses do futebol estavam prestes a cometer. Um dos maiores jogadores do futebol mundial de todos os tempos, Lionel Messi não poderia passar em branco com a camisa da Argentina durante toda a sua vitoriosa carreira. Era preciso erguer uma taça para os hermanos.

    A carreira de Messi é indiscutível. Campeão de tudo com o Barcelona, eleito o melhor jogador do mundo por várias temporadas. Não há argumentos sólidos para contestar os seus números e feitos. Não há rivalidade entre brasileiros e argentinos capaz de minimizar a carreira de Messi. Mas faltava um caneco pela seleção e ele tinha que vir. Ainda que em pleno Maracanã, diante do Brasil, em uma versão mais moderna do nosso ‘Maracanazzo’.

    O gênio da bola bateu na trave, no mesmo palco, em 2014. Conseguiu levar a Argentina à final da Copa do Mundo, mas esbarrou no capítulo final, diante da poderosa Alemanha, ao perder na prorrogação. Antes, já havia sido vice da Copa América por três vezes: em 2007, no início de carreira, sendo derrotado na final pelo Brasil e em 2015 e 2016, quando a Argentina perdeu nos pênaltis para o Chile duas vezes seguidas. Tudo parecia caminhar para uma carreira brilhante na Europa ofuscada pela ausência de títulos com a seleção, mas os deuses estavam atentos e ainda bem que não permitiram que isso acontecesse.

    Ou seja: depois de ficar no quase tantas vezes, era mesmo a hora de Lionel experimentar o sabor do título com sua seleção. Não por acaso, comemorou como um jovem em início de carreira já no gramado do Maracanã e estendeu a festa até chegar em seu país, mas sempre cobrando de seus companheiros o respeito pelos brasileiro. Um gesto do tamanho de sua carreira e que nos mostra muitas coisas. Ou pelo menos deveria mostrar. A Messi o que é de Messi.

    Esse título fortalece a Argentina para a disputa da próxima Copa do Mundo, ano que vem, no Catar. A seleção dos hermanos, conduzida fora de campo por Scaloni, mostrou uma defesa quase intransponível e um ataque recheado de talentos, além do meio-de-campo pegador, como manda a tradição deles.

    Chega ao mundial dividindo holofotes com a campeã europeia Itália e com forças tradicionais como Alemanha, França e o próprio Brasil, além das perigosas Bélgica e Inglaterra. Claro que todas elas precisam passar primeiro pelas eliminatórias, mas isso é meramente protocolar.

    Fato é que esse brasileiro aqui não se culpa nem um pouco por abrir o sorriso ao ver a cena tão esperada: Messi erguendo uma taça de campeão pela sua seleção. A cena transpõe qualquer discussão vazia sobre ser um ato antipatriota alegrar-se com a vitória do país vizinho. Em tempos de extrema intolerância, o importante na noite de sábado foi ver que a injustiça foi corrigida. Sim, Messi é o maior e merecia o posto mais alto do pódio. Por enquanto, do Continente. Que venha a Copa do Mundo! Antes de ser argentino, Messi é um gênio da bola e é mais do que justo que ocupe espaço na mesma prateleira de Maradona, Pelé, Garrincha, Romário e tantos outros que sagraram-se campeões mundiais.