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  • Contra-Ataque: À espera de um milagre

    Sérgio Monteiro

     

    À espera de um milagre

     

    O sinal de alerta no Cruzeiro deve ser ligado agora. É verdade que o campeonato está apenas na sua segunda rodada, mas se não reagir já, dentro e fora de campo, não haverá tempo para reverter o cenário que se aproxima. Diretoria e comissão técnica precisam entender, em primeiro lugar, que com esse time a Raposa não conseguirá o acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

    Não há mais o que tirar desse grupo de jogadores. O técnico Felipe Conceição conseguiu impor o seu estilo de jogo, conseguiu uma evolução durante o Campeonato Mineiro, mas a verdade é que o elenco é bastante limitado. Já era no Estadual e as contratações feitas para a Série B não somam praticamente nada – chegaram o zagueiro Joseph, o volante Flávio, o lateral Klebinho e o atacante Bissoli. Nenhum desses vai mudar o patamar do time. Nem mesmo Bissoli, que chegou, pegou a camisa de titular e tem feito boas partidas.

    Claro que a crise financeira impede a contratação de grandes reforços. Mas o clube vai ter que usar da criatividade para melhorar o time e o elenco. Caso contrário, é se acostumar com a segunda divisão e esquecer o acesso. O que, convenhamos, é inaceitável em se tratando de Cruzeiro. Outros clubes grandes que caíram, conseguiram o retorno de imediato, com exceção do Fluminense, que amargou a Série C e precisou de uma ajudinha extra da CBF para retornar à elite.

    O novo diretor de futebol, Rodrigo Pastana, chega com uma missão bastante difícil. Será preciso muita articulação para a aquisição de reforços que realmente venham qualificar o elenco e o time. Ele mal chegou ao clube e já precisa mostrar serviço, pois não há mais como esperar.

    Outro ponto importante para que o Cruzeiro encontre o seu caminho na Série B é o treinador acordar para a realidade. Não dá para ele dizer que o time está jogando bem após perder para o Confiança e o CRB. Nem mesmo para enaltecer a atuação de seus jogadores após uma vitória por 1 x 0 sobre o Juazeirense, no Mineirão, pela Copa do Brasil. Está faltando um choque de realidade para o Felipe Conceição.

    Até porque, apesar do bom trabalho realizado, ele corre sérios riscos de perder o emprego se as coisas não se arrumarem. Na quarta-feira, o time joga a sua sorte na Copa do Brasil, diante do mesmo Juazeirense, no sertão baiano. Em caso de eliminação, é fato que o técnico vai balançar. E mais duas ou três derrotas na segunda divisão serão a gota d’água para a crise piorar. Nesse caso, quem paga o pato é sempre o treinador.

    Conceição não pode achar normal tomar sete gols em dois jogos da Série B, sendo que as derrotas não foram para adversários que devem figurar na ponta de cima da tabela. Confiança e CRB não estão entre os times que disputarão o acesso à Série A, o que deixa a situação ainda mais complicada. E não adianta jogar a culpa no juiz. Ainda que erros tenham acontecido contra a Raposa nessas duas partidas, as derrotas são consequências da fragilidade do time, que desde o ano passado depende dos milagres do goleiro Fábio e dos lampejos de Rafael Sobis no ataque.

    Muito pouco para quem tem urgência. O Cruzeiro está, desde 2019, na CTI, lutando por sua sobrevivência. E não vai ser de braços cruzados, à espera de um milagre, que as coisas vão acontecer. Ou reage agora, ou vai ser tarde demais.

    Imagem – Crédito – Ramon Lisboa / EM / D.A. Press