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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Contra-Ataque: 2020: dor, lágrimas, perdas e lições

    Sérgio Monteiro

    Eu discordo daquela máxima que diz que o que foi ruim é para ser esquecido. 2020 se foi, mas deve ser sempre lembrado como o ano em que fomos privados de quase tudo – de sair, viajar, encontrar amigos e parentes, ir a eventos.Entre eles, os esportivos. O ano em que deixamos nossos times na mão. Não teve Maracanã lotado, não teve Mineirão cheio. O ano que nos levou embora tanta gente querida – parentes, amigos, ídolos.

    É preciso lembrar de 2020 a cada dia, a cada vontade cerceada, a cada perda irreparável. Só assim vamos escrever capítulos mais interessantes de nossa história. Porque não é só o vírus que mata. A ignorância e a irresponsabilidade, também. Precisamos entender que depende de cada um de nós também e, se o coronavírus ainda não bateu em sua porta, saiba que na casa do vizinho ele já deixou marcas quase insuperáveis.

    Pra quem gosta de futebol, a morte de Maradona tirou o resto de cor, brilho e alegria que ainda poderia ter em 2020

    Em 2020, a Covid-19 nos levou, de forma abrupta, personalidades que fizeram muito pelo esporte e que fariam ainda muito mais, não fosse a crueldade do destino. Os técnicos Rene Weber e Marcelo Veiga, o presidente Paulo Ricardo Magro, da Chapecoense, os jornalistas Rodrigo Rodrigues, Ari Borges e Orlando Duarte, além dos ex-jogadores Marquinhos, Antônio Carlos, Tiãozinho e Batuta, entre outros. Isso em termos de Brasil.

    Lá fora, Tom Seaver, ex-jogador de beisebol; GoyoBenito e Lorenzo Sanz, ex-jogador e ex-presidente do Real Madrid, respectivamente; o ex-zagueiro Norman Hunter, campeão mundial em 1966 com a Inglaterra e o ex-jogador de futebol americano Tom Dempsey, recordista por um chute de 63 jardas (57 metros), quando jogava pelo News Orleans Saints, recorde que durou até 2013 na NFL.

    Certamente, a Covid-19 foi o assunto mais comentado no mundo em 2020. E continua sendo nesses primeiros dias de 2021, já que o mundo ora pela vacina e, consequentemente, pela liberdade. Mas três grandes lendas do esporte mundial partiram por outros motivos ano passado, deixando saudades e dor não apenas em seus países de origem, mas em todo o planeta: o astro do basquete norte-americano Kobe Bryant, vítima de um acidente de helicóptero, o atacante italiano Paolo Rossi, vítima de um câncer no pulmão e o eterno Diego Maradona, craque argentino, que não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.

    Bryant é um dos maiores nomes do basquete nos EUA e em todo o mundo. Ex-jogador do Los Angeles Lakers, conquistou cinco títulos da NBA e a medalha de ouro com a seleção norte-americana nas Olimpíadas de 2008 e 2012. Foi considerado o melhor jogador das finais em duas edições da NBA e o melhor de toda a liga uma vez. Para os amantes do basquete, uma perda irreparável. Assim como Paolo Rossi, no meio futebolístico. Algoz da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, ele foi o autor de três gols da Azurra na fatídica semifinal que tirou o sonho do tetra brasileiro, no México.

    Mas Maradona merece um capítulo a parte. Um dos maiores jogadores de todos os tempos – para os argentinos, o maior – Dom Diego é responsável direto por toda uma geração de apaixonados pelo futebol. Graças a ele descobrimos o Campeonato Italiano, nas manhãs de domingo, no início dos anos 90, quando o Napoli de Maradona, Careca e Alemão ditava o ritmo. A sua despedida, em novembro passado, parou literalmente a Argentina. E chocou o mundo. Aos 60 anos, Maradona, que tanta alegria espalhou mundo afora com a bola nos pés, nos fez chorar.

    O ano, que já foi bastante difícil, tornava-se, naquele 26 de novembro, insustentável. Maradona não foi vítima da Covid e sim dele mesmo. O vírus que o matou foi a sua personalidade marcante, o seu espírito aventureiro, a vida sem regras. E talvez seja esta a grande lição que ele nos deixou: até aventuras precisam de limites, sobretudo quando as regras são para todos, como é o isolamento social. Maradona partiu, deixando milhões de pessoas órfãs, dilaceradas, sem chão. Pensemos, então, em quem nos ama antes de desafiar um inimigo letal. Mais uma grande lição daquele que nasceu para estar no topo. Obrigado de novo, Maradona!

     

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    Crédito – Reprodução/Twitter