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Como é feito o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista – TEA?

A opinião de Valeska Magierek

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  1. Como é feito o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista – TEA?

O diagnóstico dos Transtornos do Espectro Autista (TEA) é clínico e deve ser feito de acordo com os critérios do CID 10 (OMS, 1993) e DSM-5 (APA, 2014), pela anamnese com pais e cuidadores e mediante observação clínica dos comportamentos (embora já tenhamos escalas e testes específicos para esta avaliação) e pelas avaliações específicas da equipe multiprofissional (médico, psicólogo/neuropsicólogo, fonoaudiólogo, etc.). Geralmente o diagnóstico não leva muito tempo para ser concluído: o processo de avaliação deve ser estruturado de maneira que a criança seja avaliada por todos os profissionais da equipe, a fim de que o diagnóstico tenha fidedignidade e possa orientar o tratamento/reabilitação o mais rápido possível.

  1. Quais são os critérios diagnósticos do autismo?

Para o diagnóstico do TEA temos os seguintes critérios para nos orientar:

Critério A. Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue atualmente ou por história prévia:  

  1. Déficits na reciprocidade socioemocional (dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, até dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais).
  2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social (comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso gestos, a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal).
  3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos (dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a ausência de interesse por pares).

CRITÉRIO B. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes elementos atualmente ou por história prévia:

  1. Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas).
  2. Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente).
  3. Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (p. ex., forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos).
  4. Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento).

CRITÉRIO C. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida).

CRITÉRIO D. Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.

CRITÉRIO E. Essas perturbações não são mais bem explicadas por deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) ou por atraso global do desenvolvimento.

 

  • Quais outras características podem estar presentes no TEA?

 

Muitas pessoas com TEA também apresentam comprometimento intelectual e/ou da linguagem (p. ex., atraso na fala, compreensão da linguagem aquém da produção).

Mesmo aqueles com inteligência média ou alta apresentam um perfil irregular de capacidades.

A discrepância ou a diferença entre habilidades funcionais adaptativas e intelectuais costuma ser grande. Déficits motores estão frequentemente presentes, incluindo marcha atípica, falta de coordenação e outros sinais motores anormais (p. ex., caminhar na ponta dos pés).

Podem ocorrer autolesão (p. ex., bater a cabeça, morder o punho), e comportamentos disruptivos/desafiadores são mais comuns em crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista do que em outros transtornos, incluindo deficiência intelectual.  

NOTA DA REDAÇÃO: Valeska Magierek. Formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); atua há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia; é diretora clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena.

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