Como criar seu próprio filme de ficção: Instagram, Facebook e mídias sociais

Por Bárbara Cristina de Assis Melo, graduada em Psicologia pela UFSJ e em Medicina pela FAME, com orientação do professor Doutor Delton Mendes Francelino, Diretor da Casa da Ciência e da Cultura de Barbacena, Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IFET, Campus Barbacena, Diretor do Instituto Curupira e autor de livros. (Instagram: @delton.mendes)

A internet já alcança 84% da população brasileira e, de produto não essencial, passou a ser crucial no dia a dia de todas as faixas etárias. A tecnologia é uma rede de troca de dados que funciona com rapidez, promovendo a comunicação e a divulgação de todos os tipos de informação e, essas informações virtuais, repercutem na vida real de cidadãos em todos os continentes. Isso não é diferente na cidade de Barbacena.

No “universo” virtual, é possível editar e acrescentar características diferentes a um perfil social, formando, assim, um personagem digital que, muitas vezes, não corresponde à realidade. Frases, fotos e músicas são selecionadas de forma a construir uma máscara social para uma pessoa com personalidade e atributos complexos.

Uma narrativa construída com a intenção de passar uma mensagem nem sempre clara e permeada por detalhes que “empurram” quem visualiza a personificação de um ídolo. Haja vista a distância entre o autor do conteúdo e quem consome a página virtual, é possível inventar e propagar informações verdadeiras e/ou falsas. Isso, nas mãos de pessoas com intenções maléficas, pode (e causa) transtornos no universo real. Pessoas perdem empregos, relacionamentos começam e terminam; pessoas são roubadas, e a intimidade, preciosa e intransferível, torna-se pública.

Neurocientistas, em Harvard e Stanford, importantes universidades, alertam sobre o potencial risco à saúde mental do usuário das redes sociais, comparando seus efeitos fisiológicos no organismo aos efeitos gerados por drogas lícitas e ilícitas. Sendo assim, causa de repercussões físicas, sociais e emocionais.

Crescer nesse meio de imagens falsas e personalidades editadas sem ter o poder de “filtrar” as informações, analisando se são verdadeiras ou falsas, é um risco ao cidadão. Crianças, adolescentes, adultos e idosos são expostos a um “manancial” de informações e, se não souberem avaliar a intenção de quem as produziu, serão “presas” fáceis do comércio, dos psicopatas hodiernos e da maledicências das pessoas frustradas e corrompidas pela necessidade de competir para se sentirem aptas a se destacarem na sociedade.

Ilustração: Medium, 2023

Ser feliz é mais do que ter fotos coloridas e frases de efeito. Ser feliz está associado à liberdade de existir e de exercer sua identidade com liberdade e segurança. Ter “x” seguidores e milhares de visualizações acreditando na sua aceitação e popularidade exteriores, é uma conquista vazia se não for parte da sua identidade. Trabalhar com prazer e alegria é mais simples do que montar um personagem, pois, ao fazer isso, é custoso manter a imagem que não lhe pertence. E ao manter essa imagem virtual e imaginária, investe-se a energia da vida no que é falso.

O que vale mais: ter uma imagem ou exercer a sua real identidade?

Como estamos imersos na onda de defesa a esse meio, deixo aqui essa provocação sobre uma ferramenta que pode tanto construir pontes, como muros entre as pessoas. Ou, ainda: afinal, o que é real, e o que não é real? Temos empoderamento e compreensão sobre nossas próprias vidas e nossas próprias escolhas?

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças, Jornal Barbacena Online e SEAM – Serviços Ambientais.

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