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Carnavais, Nas Asas do Tempo

A crônica de Leonardo Lisbôa

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Tomo como conceito de cultura esta que encontrei em um dos sítios virtuais por aí: “Normas de comportamento, saberes, hábitos ou crenças que diferenciam um grupo de outro…”¹

Estamos sujeitos a isto: as normas que nos diferenciam. Diferenciam as etnias e o humano dos animais. Diferencia sociedades e os tempos históricos.

As normas de comportamentos adotadas por uma sociedade e aceitos podem ser opressoras em uma sociedade e em outra não, em um tempo histórico e em outro não. Devemos saber que tempo histórico não coincide com o tempo cronológico.

As normas de comportamento serão aceitas até  enquanto o coletivo não questiona. O humano vive de mudanças: evoluções e revoluções. Tudo que diz respeito ao humano é construído, destruído e reconstruído.

Há algum tempo li um artigo muito interessante que mostrava como a mulher é oprimida no Oriente Islâmico e no Ocidente Capitalista. Enquanto no oriente ela tem que se cobrir com  Burca, no Ocidente ela é Desnuda: minissaia, decotes, amostra de colos tudo o que é ditado pelo modismo capitalista.

Com o  carnaval e suas fantasias não é diferente. Enquanto  Veneza se cobre de veludos e máscaras, nos Trópicos se expõem toda anatomia humana em seminudismos.

Foi publicada na internet  aquela foto “vintage” dos idos carnavais passados em clube social.  A moral era cobrada de forma acirrada: diferenciava-se o que as mulheres e moças “de família”  podiam usar e que as distinguiam das “Levadas da Breca”. Na foto estava ali aquele “Palhaço” notadamente do gênero feminino dado o volume de seus seios. Aquele corpo se escondia em roupa de cetim todo, todo, coberto. O rosto se moldava pelo elástico que segurava o chapéu em forma de cone.  Nos dias de hoje as fantasias de palhaço deixam o corpo à mostra sendo identificados apenas por maquiagens e prótese de nariz próprio.

A foto me lembrou de outra fantasia peculiar da época e que não chegou à atualidade: Fantasia de Gatinho. As mulheres para ter maior liberdade e preservarem suas identidades vestiam calças compridas, camisão, gravatas que atavam suas máscaras que cobriam totalmente o rosto. A máscara tinha bigodes felinos bordados, buracos dos olhos contornados de paetês e orelhas que se faziam em peça tipo fronha de travesseiro. Elas se esbanjavam em beijos nos blocos de rua.

Ao se lembrar desta fantasia e ao ver aquela do palhaço todo coberto no clube frequentado pela burguesia imaginei o calor que sentiam por debaixo de tantos panos que revestiam todo o corpo. E aí indaguei:

Tortura da moral repressora  ou oportunidade libertária (catarse) de recalques e desejos reprimidos?

Hoje as escolas de samba e outros espaços carnavalescos expõem tudo com seus, e apenas, tapa-sexos.

É o CARNAVAL e os seus  CANAVIAIS

Leonardo Lisbôa

Barbacena, 14/02/2018

¹ https://www.dicio.com.br/cultura/

 

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NOTA DA REDAÇÃO: Leonardo Lisbôa é professor da rede pública de ensino de Minas Gerais. Fez sua especialização em História na UFJF e seu mestrado em psicopedagogia na Universidade de Havana, Cuba. Publica textos também no sítio www.recantodasletras.com.bronde mantém duas escrivaninhas (Perfis): o primeiro utilizando o próprio nome ‘Leonardo Lisbôa’ e o segundo o de ‘Poesia na Adega’.  Registro no CNPq: http://lattes.cnpq.br/0006521238764228

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