BOL disponibiliza discurso de Professor na Cerimônia do Dia da Vitória

Discurso proferido pelo Professor José Augusto Penna Naves, no dia 11 de maio de 2023, durante solenidade do Dia da Vitória, em Barbacena.

Início minhas breves palavras agradecendo ao presidente desta solenidade cívico militar, o Comandante da EPCAR Brigadeiro do Ar. Daniel Cavalcanti de Mendonça, como também o prefeito Municipal Carlos Augusto Soares do Nascimento pela confiança depositada em minha pessoa para ocupar esta tribuna.

Ao longo de duas décadas e meia pela quinta vez, tenho a honra de me pronunciar dentro das comemorações do Dia da Vitória, ocorrido em 8 de maio de 1945 dentro das comemorações da rendição alemã na 2ª  Guerra Mundial, que tomou parte do mundo entre 1939 e 1945.

E ao nos deparamos especialmente com os jovens estudantes e os alunos da EPCAR, a nos ouvir neste ato, destacamos que este monumento tem origens em um significados que precisam ser melhor compreendidos e peço licença para fazê-lo.

Na verdade, segundo se lê na sua história, tudo o que aqui vemos foi um sonho de criança! Permita-me recorrer a 1945 e 1951 com a história pouco conhecida desse Monumento que homenageia os combatentes.

Segundo relatos do historiador Edson Brandão, da Academia Barbacenense de Letras o dentista Álvaro de Azevedo Coutinho sempre ouvia de sua filha Nilda Cybelle a comoção com as histórias dos jovens soldados que morriam longe de suas casas e que nunca recebiam o carinho fúnebre de seus familiares.

Dizia a Menina ao pai que se surpreendia com a sensibilidade da filha ainda tão pequena… “Eles mereciam ao menos uma estátua”.

Foi então que o Sr. Álvaro compreendeu que este não deveria ser um compromisso apenas de um pai com sua filha, mas de uma geração. Viúvo casou-se com a eminente oradora Maria Leite de Castro Coutinho, a saudosa Dona Totoca, quando iniciaram uma grande mobilização pública, no fim dos anos 40. Ela faleceu durante a pandemia com 104 anos.

Portanto, o que vemos aqui é um projeto de cunho popular surgido espontaneamente da comunidade barbacenense e não de uma vontade governamental.

Para obterem um projeto e meios para construir o Monumento, que incluiu também o busto de Tiradentes, patrono da nossa gloriosa Policia Militar, que está ali no adro da Igreja do Rosáriofoi criada uma comissão, com o casal Totoca e Alvaro Coutinho, Dr. Diaulas Abreu, Cel. Melquiades Horta, Dr. Humberto Borato, Prof. Oswaldo Navarro, Paulo Emílio Gonçalves, Jackson Fernandino e Paulo Moreira.

Com recursos arrecadados por meio de promoções o equivalente moderno a uma “vaquinha virtual” a comissão abriu um concurso. O projeto vencedor foi do artista paulista, Luiz Morrone, discípulo de Etore Ximenes, que criou o conjunto escultórico do Museu do Ipiranga, em São Paulo.

Oficialmente, a ideia foi anunciada em 23 de maio de 1945 e o monumento inaugurado em 21 de janeiro de 1951. Enfim. 5 anos depois o sonho de uma jovem menina se materializaria em pedra e bronze.

Sras., Srs, Sr. Comt Daniel, Sr. Prefeito Carlos Dú, Sr. Comt 13ª RPM Cel.Terence Floriano Guimaraes, Sr. Juiz de Direito Marcos Alves de Andrade

Segundo dados de outro grande memorialista barbacenense, o acadêmico Paulo Maia Lopes, filho do saudoso ex-combatente, Ari Lopes:

A coluna do monumento tem a forma de uma “vela” de um submarino, a parte da embarcação que é vista na superfície da água e de onde sai o periscópio. Em cima, a figura do soldado desconhecido empunhando o fuzil, referência ao Exército. Nas laterais figuram respectivamente medalhões referentes ao Exército, a Marinha e a Aeronáutica, na época Aviação.

Representados ali estão dois expedicionários barbacenenses que morreram em combate: o soldado José Leite Furtado, que morreu na Itália, em Montese e o Tenente Alípio Napoleão de Andrada Serpa, que morreu durante o naufrágio do navio Arará, vítima de torpedos do submarino alemão U-507.

A inauguração reuniu neste mesmo lugar onde estamos, uma grande concentração cívica-militar tendo como oradores a em nome da sociedade civil escritora Zilda Moreira de Castro, que quando jovem foi quem levou a Bandeira da EPCAR quando de sua instalação na cidade e encontra-se entre nós com 101 anos, Sr. Comandante. E pela hoje Força Aérea Brasileira falou o capitão aviador Antônio Filizolla.

Desde então, a exceção os anos de pandemia, aqui a comunidade é estimulada a refletir sobre a paz, a liberdade e nossos mais caros valores humanitários. Estes sempre ameaçados, pois infelizmente a Guerra e suas vítimas continuam presentes no mundo contemporâneo. Vide a Guerra Russia e Ucrania.

Assim Sras, e Srs, em breve relato resumimos a gênese e a razão pela qual este monumento foi erguido. Ele existe em poucas cidades e deve ser valorizado e cuidado. Hoje novas gerações estão aqui presentes. São fatos que não podem se perder na história.

Saudamos na pessoa do prefeito Carlos Dú, a sensibilidade cívica brasileira, em especial os saudosos barbacenenses que lutaram na guerra e aqueles pela construção deste monumento em homenagem aos componentes da FEB, para que eternamente sirva de exemplo para todas as gerações que a paz é tudo no mundo.

Cumprimentamos também o Sr. Prefeito pela equipe que designou para o retorno do evento pós pandemia: Chanceler da Medalha do Dia da Vitória, secretária de Governo Vânia Castro; Curador de Atas, Luiz Cláudio Domith de Paula, comandante da Guarda Municipal; assessor Tarcísio Ferreira Pereira; Diretor de Cultura, Alexandre Braga, secretário de Gabinete, Gustavo de Souza, além dos demais parceiros, como o cerimonial na pessoa do Sgt. Júlio Fonseca, da Epcar.

E Saudamos também na pessoa do Comandante da Epcar Brigadeiro do Ar. Daniel os componentes das Forças de Segurança e das Forças Armadas que seguem exemplos de patriotismo oriundos da garra dos “pracinhas” que está arraigada na formação dos militares, orgulho do nosso povo, especialmente, os militares oriundos da Epcar, que faz de Barbacena a Nascente do Poder Aéreo.

A pouco Sr. Comandante, lembrava à diretora do IF Barbacena, minha ex-aluna, Profa. Alcimara de Paula, que para o engrandecimento do evento, em 2015 ocorreu a instituição da Comenda do Dia da Vitória, maior horaria do Município de Barbacena.

E destacamos o empenho da Epcar, nas pessoas do comandante Brig. Celestino Tedesco e o então Sub-Comandante e posteriormente Brig. Silva Mendes, que o antecedeu no comando Brig. Daniel. Do então ajudante de ordens Capitão Eduardo Dutra e do então Comandante da Guarda Municipal Capitão Adilson Domingos, que nos acompanhava nas tratativas quando idealizamos a Comenda.

Sras., Srs, Sr. Comt Daniel, Sr. Prefeito Carlos Dú. Sr. Cmt do 9º BMP, Tem. Cel, Ademir Faria, SrChefe 13ª Departamento da Policia Civil, Alexander Soares Diniz, Sra. Promotora de Justiça Elissa Lourenço.

Relembrando palavras que já falei desta tribuna em anos passados, o poeta Guilherme de Almeida, autor da letra da Canção do Expedicionário, que em razão do luto oficial pela morte da cantora Rita Lee não será executada pela Banda de Música da Epcar, regida pelo tem. Jadir e nem cantaremos, com muita propriedade pergunta, logo nos primeiros versos dessa belíssima oração patriótica:

“Você sabe de onde eu venho? Venho do morro, do engenho, das selvas, dos cafezais…”

E assim, o poeta praticamente percorre todo o território nacional, com suas peculiaridades e regionalismos, pois, dos rincões mais remotos e distantes dessa nação continente chamada Brasil, que saíram os milhares de jovens que se dispuseram a lutar contra o jugo nazifascista que ameaçava o mundo.

Foram exatamente 25.334 brasileiros! Homens, mulheres, pracinhas, generais, brigadeiros e almirantes, todos, sem exceção colocados na mira do destino e da mais terrível das terríveis guerras que a humanidade experimentou.

Naqueles dias de guerra, com o governo Getúlio Vargas indeciso se dizia nas ruas e até em alguns órgãos de imprensa que “era mais fácil uma Cobra Fumar Cachimbo, do que o Brasil ir para a Europa guerrear”.

Mas, contrariando tudo que se podia prever naqueles tempos de incertezas, a Cobra Fumou! E sua fumaça foi para bem longe! Mais precisamente nos campos da Itália, onde os primeiros soldados brasileiros chegaram em julho de 1944, sob o comando do General Mascarenhas de Morais.

A cobra fumando passou a ser o símbolo da nossa presença na 2ª  Guerra Mundial, a divisa no peito de cada combatente. Um símbolo curioso, até mesmo engraçado. Mas nada ilustraria melhor o espírito combativo brasileiro no conflito do que representava aquela Cobra sinuosa soltando fumaça branca de seu cachimbo.

Ao contrário das falas pejorativas, os soldados brasileiros em solo italiano, não foram ser “bucha de canhão”. A Força Expedicionária Brasileira foi integrada ao 4º Corpo do Exército Aliado, sob o comando do general Willis Crittenberger, este por sua vez, adscrito ao 5º Exército dos Estados Unidos, comandado pelo general Mark Clark.

Nossos soldados, vindos das selvas, dos cafezais, dos indolentes coqueirais da Bahia, das caatingas do sertão nordestino ou dos pampas gaúchos, agora lutavam ao lado de norte-americanos, italianos antifascistas, poloneses, tchecos e gregos, tropas coloniais britânicas compostas por canadenses, neozelandeses, australianos, sul-africanos, indianos, quenianos, judeus e árabes, e ainda soldados recrutados nas colônias francesas: marroquinos, argelinos e senegaleses.

Enfim, uma torre de babel étnica com idiomas tão diferentes quanto às cores de suas bandeiras, mas guerreiros implacáveis contra um inimigo determinado e cego pelo fanatismo ideológico e o ódio racial.

Concluindo Sras., Srs, Sr. Comt Daniel, Sr. Prefeito Carlos Dú Sr. Comt Corpo de Bombeiros, Maj. Ronado Rosa Lima, Sr. Comt da Guarda Municipal Luiz Domith de Paula.

Se é verdade que a equipagem bélica que o Brasil dispunha na época estava aquém da tecnologia das guerras até então travadas, não eram exatamente aviões, submarinos ou tanques do Brasil que o 5º Exército Americano precisava naquele momento.

Na ocupação da Itália nazifascista, a Guerra se dava metro por metro do território, no corpo a corpo, soldado por soldado. E era aí que A Cobra Fumava, pois é inato aos brasileiros, a criatividade, a versatilidade e a capacidade de adaptação na adversidade!

Na canção do Expedicionário, seu autor diz: “Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá; sem que leve por divisa esse “V” que simboliza a vitória que virá”.

E para provar que a vitória do hino de fato se deu, destaco aqui uma das muitas ações da FEB que ajudou a mudar o destino da ocupação nazista na Itália: a tomada de Monte Castelo.

A canção Expedicionária prossegue: “Nossa vitória final, que é a mira do meu fuzil, a ração do meu bornal, a água do meu cantil, as asas do meu ideal, a glória do meu Brasil.”

Saudemos pois nossos bravos militares brasileiros do passado e do presente. E aqui, os saudamos na pessoa do último herói barbacenense remanescente, o expedicionário João Rodrigues da Costa, que perto de completar 100 anos de idade está representado por sua filha nesta solenidade. E é na pessoa do Sr. João que comprimento todos os agraciados com a Medalha do Dia da Vitória Expediconário Alvaro Jabour

Os bravos Expedicionários  permaneceram exatamente sete meses e 19 dias em solo italiano Quando o 1° Contingente regressou ao Brasil, em 18 de julho de 1945, 454 mortos, ficaram enterrados no cemitério brasileiro na cidade de Pistóia. Foram transladados e hoje descansam no Monumento da 2ª Guerra no Rio de Janeiro.

São nossos heróis, brancos, negros, mulatos e índios. Nossos sertanejos audazes. Nossos gaúchos dos pampas. Nossos valentes mineiros e paulistas. Nossos caiçaras do litoral. Repousam o sono dos justos. O que jamais pode repousar é nossa consciência!

Ao final da louca aventura bélica e racista do ditador Adolf Hitler e seus seguidores, sobrou-nos a macabra contabilidade de 60 milhões de mortes. Como dizia um pensador judeu. “Não foram 60 milhões de indivíduos mortos, foram 60 milhões de gerações perdidas!”.

Finalizando minhas palavras Sras., Srs, Sr. Comt. Brigadeiro Daniel, Sr. Prefeito Carlos Du, Sr. Presidente da Câmara, Prof. Nilton Cezar Almeida.

Lembro que tal como sentinelas, nós brasileiros devemos permanecer em alerta, mantendo o compromisso pela paz, pela igualdade entre os homens, independente da coloração de sua pele, da fé que professam ou das suas convicções ideológicas.

É por isso que estamos aqui hoje! Guerra nunca mais, com as graças de Deus, como deixou claro em sua homilia da Santa Missa, o Monsenhor Danival Milagres.

É por isso que do sonho desse Monumento oriundo da menina Cibelyy Coutinho, que anualmente trazemos a esta praça novas gerações. Aqui estão presentes jovens estudantes de vários educandários, que também têm sonhos, como os tem os alunos oriundos de vários estados do país da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, os futuros oficiais da Força Aérea Brasileira.

Enfim, 78 anos se passaram e não vamos esquecer do sangue, do suor e das lágrimas que milhões e milhões derramaram em nome da liberdade. Outros 78 anos se passarão e aqui neste mesmo local, em frente o Monumento ao Soldado Desconhecido, desejamos que as futuras gerações não se esqueçam daqueles que ofertaram seu presente para que cada um de nós pudesse construir o futuro.

Viva as Forças Armadas, Viva a Força Expedicionária Brasileira! Viva a Liberdade! Viva o Brasil!

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