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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Asas Arrancadas

    Leonardo Lisbôa

    O  Tempo  voa!

    A  Liberdade  tem  suas  asas.

    Do  tempo,  a  humanidade  quer  arrancar  as  asas  e  impedir  a  liberdade.   E  perpetuar  os   sofrimentos.

    O  tempo  é  uma  noção  feita  pela  humanidade.

    Há  quarenta  anos  o  jovem  saiu  para  votar  pela  primeira  vez.  Caminhava  assustado:   Como  seria?  O  que  seria?  Viria?

     

    A  Ditadura  militar  se  fazia.  A  ditadura  oligárquica  se  mesclava  dando  seus  ares.

     

    Em  cada esquina  grupos  panfletavam  a  permanência  da  velharia.  O   regime   fingia-se  democrático:  havia  até  dois  partidos.  Arena  e  MDB:  cara  e  coroa  da  mesma  moeda.

     

    Em  cada  esquina  soldados  e  policiais  vigiavam  a  ordem.

    Subversivos  escreviam  subversos  em  canções  de  liberdades  subtendidas.

     

    O   tempo  voou.

    A  primeira  seção  eleitoral  foi  naquela  escola   que  ensinava  rapazes  noções  de   agropecuária  e  às   moças,   Economia  Doméstica.  A  escola   fechou.

    Depois  fora  na  velha   escola  do   Ginásio   e   Colégio   Mineiro.  A   escola   tornou-se  pública.

    A   Liberdade   tem   suas   asas  e   trouxe   a   Abertura  Política.

     

    A   seção  eleitoral  agora  seria  no  prédio   da  Cadeia   Pública  reformada,  mas  antes  abrigava   ainda   instrumentos   de   tortura   e   de   escravidão.

     

    O   tempo   voa  e   a  memória   perpetua   o   quê  foi.   A   História  quer  desfazer  as  amarras.

     

    Ali,   aqueles  que  eram  jovens,  agora  são  senhores  e  senhoras.  Mas  ai   que   saudade   da  ditadura,   abaixo  a  dentadura.

    Aquela   senhora  com  traços  ainda  joviais  marcava   presença:  “Aí,   em  quem  você  vai  votar?  Teu   voto   vai   ser   nele,  não  é?”   Indagava   a  todos  na  fila.    E   foi   assim   até   que   alguém   lhe   bateu   no   ombro   e   lhe   disse:   “Isto   é  crime   eleitoral   e   você   será   presa!”

     

    Ela   assustada  e   sem   graça   retrucou:   “Eu   sou   ré   primária;   até   que   hora   eu   fico   presa?”

    Murchou   toda   até   que  enfim   fora   dar   seu  voto  no   inominável.

    A  humanidade  quer   arrancar  as   asas,   impedir  a   liberdade   e  perpetuar  os  sofrimentos.

     

    As   paredes  daquele   lúgubre  recinto   choravam  os  sofrimentos.

    O   Centro  Cultural  lembrava  o  tempo  da  Escravidão  e  das  Ditaduras.  Mas…

     

    A  Liberdade  tem  suas  asas.

     

    Leonardo Lisbôa

    Barbacena, 07/10/2018

    Direitos do texto e foto

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    NOTA DA REDAÇÃO: Leonardo Lisbôa  é professor da rede pública de ensino de Minas Gerais. Fez sua especialização em História na UFJF e seu mestrado em psicopedagogia na Universidade de Havana, Cuba. Publica textos também no sítio www.recantodasletras.com.bronde mantém duas escrivaninhas (Perfis): o primeiro utilizando o próprio nome ‘Leonardo Lisbôa’ e o segundo o de ‘Poesia na Adega’.  Registro no CNPq: http://lattes.cnpq.br/0006521238764228