Antagonismo

Francisco Santana

Como julgar a alegria sem conhecer tristeza? O feio sem conhecer o bonito? O dia sem conhecer a noite? O errado sem conhecer o certo? O frio sem conhecer o calor?  O bem sem conhecer o mal? O alto sem conhecer o baixo? O amor sem conhecer o ódio? O doce sem conhecer o salgado? O fraco sem conhecer o forte? O sujo sem conhecer o limpo? A alegria sem conhecer a tristeza? A saída sem conhecer a entrada? A tempestade sem conhecer a calmaria?

Como julgar o gordo sem conhecer o magro? O grande sem conhecer o pequeno? A paz sem conhecer a guerra? A ordem sem conhecer a anarquia? O presente sem conhecer a ausência? O quente sem conhecer o frio; O rápido sem conhecer o lento? O rico sem conhecer o pobre? O riso sem conhecer o choro? O simpático sem conhecer o antipático? A virtude sem conhecer o vício?

Como julgar a soberba sem conhecer a humildade? O rápido sem conhecer o lento? O difícil sem conhecer o fácil? O gostoso sem conhecer o ruim? O são sem conhecer o doente? O corajoso sem conhecer o covarde? O cheio sem conhecer o vazio? O modesto sem conhecer o convencido? O áspero sem conhecer o liso? O educado sem conhecer o grosseiro? O fundo sem conhecer o raso? A qualidade sem conhecer o defeito?

Como julgar algo sem experimentar? Como julgar o político sem conhecer a corrupção? Como julgar a moral sem conhecer a ética? Como julgar, como julgar.

 

A Lógica da Criação

Oswaldo Montenegro.

O mérito é todo dos santos
O erro e o pecado são meus
Mas onde está nossa vontade
Se tudo é vontade de Deus?

Apenas não sei ler direito
A lógica da criação
O que vem depois do infinito
E antes da tal explosão?

Por que que o tal ser humano
Já nasce sabendo do fim?
E a morte transforma em engano
As flores do seu jardim

Por que que Deus cria um filho
Que morre antes do pai?
E não pega em seu braço amoroso
O corpo daquele que cai

Se o sexo é tão proibido
Por que ele criou a paixão?
Se é ele que cria o destino
Eu não entendi a equação

Se Deus criou o desejo
Por que que é pecado o prazer?
Nos pôs mil palavras na boca
Mas que é proibido dizer

Porque se existe outra vida
Não mostra pra gente de vez
Por que que nos deixa no escuro
Se a luz ele mesmo que fez?

Por que me fez tão errado
Se dele vem a perfeição?
Sabendo ali quieto, calado
Que eu ia criar confusão

E a mim que sou tão descuidado
Não resta mais nada a fazer
Apenas dizer que não entendo
Meu Deus como eu amo você

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