Uma sociedade humana globalmente voltada para a sustentabilidade é possível?

A opinião de Delton Mendes Francelino

O século XX foi marcado por profundas mudanças na maneira como a humanidade percebe e atua sobre o ambiente e a conservação da natureza. Nunca antes na história o perfil ético de existência e coexistência humana na Terra foi tão debatido, proposto e executado, por exemplo, em nível de políticas públicas. No entanto, não necessariamente os debates e os novos paradigmas de compreensão do mundo e de significação socioambiental culminaram no equilíbrio ideal entre o ensejo humano de utilização e apropriação insensatos de recursos naturais (tipicamente capitalista), a conservação da natureza e a dignidade existencial de todos os povos.

De certa forma, há muito que comemorar no que se refere à popularização da informação ambiental, ou seja, a informação básica de conceitos e significados de preservação e conservação. A mass media, os sistemas de educação regulares, das escolas às universidades, os meandros políticos em seus diversos níveis, são exemplos de campos de construção de saberes e práticas sociais que potencializaram a divulgação e construção dessa informação ambiental baseada em jargões preservacionistas e conservacionistas hoje tão populares, como o uso consciente de recursos associados à água e à energia, a prática do bom senso com relação a resíduos e insumos, dentre tantos outros. Todavia, será que o simples oferecimento das informações ambientais diversas é capaz de gerar conhecimento e saberes ambientais profícuos, potenciais transformadores de culturas e de modos de compreensão das realidades?

A missão da sociedade do agora é gerar conhecimento sensível, alterando perfis culturais de existência. Mudar e/ou adaptar paradigmas, estruturas sociais hegemônicas, enaltecendo, por meio de processos inovadores e não centralizadores de saberes, a urgência da mudança dos modelos tradicionais de utilização dos recursos e serviços ecossistêmicos, das relações humanas fortemente baseadas em níveis assoladores de injustiça social e ambiental e, também, de compaixão e solidariedade para com a dinâmica ecológica dos seres vivos em geral, tão prejudicada pelo crescimento exponencial da população humana.

NOTA DA REDAÇÃO – Delton Mendes Francelino é Diretor Internacional do Instituto Curupira (MG, SP e EUA); Professor Col. Graduação em Ciências Biológicas/ IF Sudeste Campus Barbacena/MG; Site: https://deltonmendes.wixsite.com/meioambiente; Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana e Educação Ambiental Crítica do IF Sudeste, Campus Barbacena, MG; Palestrante e professor: Meio Ambiente/ Eco cultura/Permacultura/Ecoeducação

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