Contra-Ataque: Vitória na bola e nos bastidores

Sérgio Monteiro

 

 

Vitória na bola e nos bastidores

 

Importantíssima a vitória do Atlético ontem, sobre o Santos, no Mineirão. De virada, o time mineiro fez 3 x 1, manteve a diferença para o Flamengo em 11 pontos e, de quebra, mostrou para a CBF que está trabalhando dentro e fora de campo para conseguir o título. E só assim mesmo para ser campeão: com jogadores, comissão técnica, diretoria e torcida trabalhando “full time”. Caso contrário, tiram mais uma vez a taça do Galo com “erros” de arbitragem, jogadas de bastidores e no grito. Como aconteceu em 1977, 1980, 1999, 2012 e 2015.

No primeiro tempo, o árbitro Paulo Roberto Alves Júnior deixou clara a sua intenção na partida de ontem em pelo menos três lances: um pênalti claro em cima de Zaracho, uma falta absurda sobre o mesmo jogador e um possível pênalti em cima de Dylan Borrero. Nada marcado, como se o árbitro estivesse ali para repetir o que fizeram com maestria Wright, Aragão, Simon, Márcio Rezende e tantos outros. Mesmo com a “presença” do VAR.

Pois foi aí que o Galo conseguiu a vitória. A atuação do juiz foi o combustível que faltava para entrar em campo a diretoria. No final do primeiro tempo e no intervalo, foram os diretores que calçaram as chuteiras para garantir os três pontos. “Aqui dentro ninguém vai roubar da gente”. Essas seriam as palavras ditas por Rodrigo Caetano na tentativa de ingressar na cabine do VAR. Claro que está na súmula e deverá gerar punição ao dirigente e, se bobear, ao clube. Mas foi fundamental para que na segunda etapa o VAR participasse da partida, revendo lances de penalidade. Afinal, foi criado para isso.

Contrariado por ter que aplicar a regra no segundo tempo, o árbitro pesou a mão na súmula, dizendo ter sido ofendido em sua moral. Conte a do português agora, Paulo Roberto, porque essa não teve a menor graça. Moral? Desculpe, mas aqui não cola. Mostramos ao senhor e ao coitado do Raniel quem manda no terreiro. Afinal de contas, ninguém sabe melhor do que o Atlético como é perder títulos roubados, sobretudo para o Flamengo.

É claro e indiscutível que o Flamengo tem time para buscar mais esse título dentro de campo. Mas eles precisam entender que o Atlético dessa vez não tem apenas time para entrar nessa briga. Agora tem uma diretoria com os olhos bem abertos tentando impedir que a decisão seja nos bastidores. Vai ser na bola. Que vença quem merecer mais dentro de campo. Enquanto Renato Gaúcho tem Gabriel, Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro, de cá o Cuca tem Hulk, Nacho, Diego Costa e Zaracho. Esses são os nomes que devem decidir campeonatos e não os de cartolas e árbitros, como foi no passado.

Mais um ponto para a diretoria alvinegra, que vem fazendo uma bela administração, sempre apoiada por parceiros que querem ver o Atlético erguer taças. E que os olhos continuem abertos, pois faltam 13 jogos para o Atlético e 15 para o time carioca e o “serviço” está armado. E ainda tem uma Copa do Brasil em fase semifinal pela frente. Não bobeia não, Galo. Lute até o fim dentro e fora de campo. Que a diretoria faça a parte dela e que o técnico Cuca blinde o elenco dessas questões, focando na bola, como foi ontem. Sem reclamar de juiz, porque sabemos que se for preciso, eles expulsam o time inteiro para resolver a parada sem bola rolando.