Até quando esperar?

Por Sérgio Monteiro

 

A diretoria alvinegra até despista, mas está com um abacaxi nas mãos para descascar. E dos grandes! O #foraturco ainda divide a torcida atleticana, mas começa a ganhar força. E nem poderia ser diferente diante das repetidas más atuações do time, que já começam a ameaçar a temporada. Tido como um dos principais candidatos aos títulos mais importantes do ano, o Galo – embora tenha conquistado, já em 2022, o Campeonato Mineiro e a Supercopa – ainda não convenceu no Brasileirão e na Libertadores.

Que o Turco é um cara legal, acho que não resta dúvida. Mas isso basta para assumir o comando técnico de um time com grandes pretensões? Claro que não. A contratação dele foi um erro e não é difícil perceber isso. Um erro isolado de uma diretoria competente e vencedora, é bom que se diga. Um erro que provavelmente comprometerá a temporada do time, sobretudo se não for corrigido rapidamente. Ficar abraçado a uma ideia que claramente não deu certo não vai levar o Galo a lugar algum.

O time está completamente perdido dentro de campo, não há jogadas trabalhadas e muito menos se percebe a tal da ‘mão do técnico’. Que me perdoem os defensores do treinador argentino, mas ele não mostrou a que veio. Pelo contrário, não dialoga com os jogadores, não demonstra ter visão de jogo, não é capaz de mudar a postura do time dentro da mesma partida. “El Turco” Mohamed, na verdade, ganhou na loteria ao ser escolhido para ser o sucessor de Cuca. Não tem bagagem para isso e caiu de paraquedas em Minas.

Logicamente, não é o técnico o único culpado de tudo. É inegável que o elenco atleticano foi enfraquecido em relação ao ano passado, embora o time titular seja praticamente o mesmo. Saíram vários jogadores e as reposições não foram feitas em alguns casos. Em outros, até foram, mas com qualidade bem questionável, principalmente no meio-de-campo e no ataque.

Dentro de campo, o time está perdendo gols em excesso, os jogadores de meio-de-campo estão completamente perdidos e a defesa não mostra nem de longe a solidez da temporada passada. Além disso, há uma dúvida no ar sobre o que acontece com o time, que não consegue se impor diante de adversários mais frágeis. Seria soberba? Seria falta de ambição após as conquistas da temporada passada? Não sabemos. Mas isso também passa pelo treinador. Ele também é responsável por estimular o time, principalmente durante os jogos. A receita para isso está longe da postura adotada por Antonio Mohamed, que é cruzar os braços e assistir às partidas à espera da manifestação da torcida pedindo esse ou aquele jogador.

É o que o Turco tem feito. A torcida pediu Ademir? Coloca o Ademir. A torcida pediu o Vargas? Vamos de Vargas. Contra o América, no sábado, bastou ecoarem os primeiros gritos de Keno para o treinador alterar a equipe. E basicamente se resume a isso a participação dele nos jogos. Quando é fora de casa, ele faz as substituições “sozinho”, mas aí tende a ser pior, como foi em Goiânia, contra o Goiás, quando o treinador tirou dois atacantes e colocou um volante e um meia ainda na metade do segundo tempo. O resultado foram dois pontos perdidos diante de um adversário que até então não ameaçava a vitória alvinegra que se anunciava.

O abacaxi é todo da diretoria e à torcida cabe apenas o direito de se manifestar, além de incentivar o time nesse momento de turbulência. Mas é bom que a cúpula alvinegra repense o quanto antes sobre os objetivos do time na temporada, porque adiar as decisões que necessitam ser tomadas vai na contramão do que o torcedor espera desse time. Uma troca no comando técnico durante a temporada nunca é boa, mas é melhor que aconteça enquanto há tempo de recuperação. Esperar uma eliminação para tomar a decisão vai ser tarde demais.

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