08 de maio (Dia da Vitória) – Homenagem e Reflexão

Neste domingo, 08 de maio de 2022, comemora-se o 77º ano do término da II Grande Guerra, conhecido também como DIA DA VITÓRIA. Nesta data, em 1945, foi a data formal da derrota da Alemanha nazista e a vitória dos Aliados. Um dia antes, em 7 de maio, houve a assinatura de um documento preliminar, que indicava a rendição das tropas alemãs; contudo, a formalidade da rendição aconteceu no dia 8, através de representantes da Alemanha, que juntamente na presença do Alto Comando das Forças Aliadas e das Forças Armadas Soviéticas, assinaram a derrota alemã.

Tal data é lembrada com afinco e patriotismo em outros países, mas não aqui. No Brasil, são realizadas solenidades, pois constam em seu calendário militar e de algumas cidades, tornando tal data não um evento ou uma relembrança, mas um simples compromisso em cumprir o calendário, que por vezes é deixado de lado ou passa-se despercebido de divulgação. Muitas vezes, as solenidades são compostas de discursos de pessoas “influentes” dos municípios, que realizam uma leitura de uma nota copiada de sites de buscas, nem ao mesmo sabendo do que estão falando ou como tudo aconteceu, ou por militares ou alguma autoridade, que por vezes, estão desmotivados pela falta de apoio institucional e a falta do sentimento de amor à bandeira, que a população vai deixando de lado. Algumas cidades acontece a entrega de alguma medalha de significado regional, que geralmente é entregue à pessoas (civis e militares) que prestaram relevantes contribuições àquela cidade, sendo sua indicação usualmente política. Este tipo de homenagem, na opinião deste autor, deveria ocorrer em outra data; pois foge o foco da homenagem daqueles que lutaram pela liberdade no passado; salvo a imposição da Medalha da Vitória; criada em 2004, que é destinada a agraciar militares das Forças Armadas, civis nacionais, militares e civis estrangeiros, policiais e bombeiros militares, organizações militares e instituições civis nacionais, nacionais ou estrangeiras, que tenham contribuído para a difusão dos feitos dos Ex-Combatentes durante a Segunda Guerra Mundial, participado de conflitos internacionais na defesa dos interesses do País, integrado missões de paz, prestado serviços relevantes ou apoiado o Ministério da Defesa no cumprimento de suas missões constitucionais.

O Dia da Vitória é um mix de alegrias e tristezas para aqueles que estiveram no fronte; em uma época que verdadeiras crianças, saíram de suas casas, principalmente das zonas rurais, onde nunca tinham ouvido falar de guerra e nem ao mesmo, sabiam ao certo o que era se voluntariar para tal feito. Deixaram suas famílias e casa, onde muitos nunca tinham saído de perto, e foram realizar o treinamento militar e na sequência, embarcar para o desconhecido, no caso, para a Itália, onde descobriram realmente o lugar onde estavam após o desembarque.

Brasileiros de várias partes do país reunidos em terras desconhecidas, com uniformes semelhantes aos nazistas, sem roupas apropriadas ao frio; esta era a realidade das primeiras fileiras que desembarcaram em terras italianas, que posteriormente, se adaptaram. Após as primeiras campanhas, ver o companheiro ser tombado ao seu lado, momento este que não poderia se fazer nada; de aviões da Senta a Pua abatidos em missões, que são reconhecidas até hoje, claro, reconhecidas fora do Brasil, pois o Brasil é um país que não valoriza sua história, sua memória, infelizmente.

Barbacena-MG é uma das cidades que possuem um monumento dedicado aos Pracinhas da Segunda Guerra, pois enviou um contingente com cerca de 115 homens para guerra. Tal monumento foi construído por meio de iniciativa popular e inaugurado há 71 anos, em 1951 (segundo data da placa no monumento); na Praça Dom Silvério (Praça do Rosário), com presença massiva da população para a cerimônia.

Monumento do Expedicionário em Barbacena/MG. Registrado em 03 de maio de 2022.
(Foto: Fabrício Robson de Oliveira)

 

O monumento possui em seu topo, a estátua de um soldado empunhando um fuzil (soldado desconhecido); nas laterais das colunas estão representações de militares do Exército e Aeronáutica. Há ainda 02 medalhões, cada um, homenageando dois expedicionários tombados em combate; o soldado José Leite Furtado que foi morto em Montese e o Tenente Alipio de Andrada Serpa, morto durante o naufrágio do navio Arará, bombardeado por um submarino alemão, enquanto ajudava seus companheiros.

Monumento do Expedicionário em Barbacena/MG. Registrado em 03 de maio de 2022.
(Foto: Fabrício Robson de Oliveira)

 

Sua coluna possui a forma da vela de submarino (parte exposta do submarino); referenciando a Marinha, que é a Força mais antiga do Brasil, seguida do exército e aeronáutica.

Às vezes, pela correria do cotidiano ou falta de interesse, o monumento passa-se desapercebido pelos olhos daqueles que por ali passam. No dia 08 de maio, ele ganha mais vida; com os Pavilhões hasteados e uma coroa de flores depositada sob sua base. Quando passar pelo monumento dos Expedicionários, pare um pouco e leia o que ali está escrito. Conheça um pouco da história!

Infelizmente, com o passar dos anos, o Dia da Vitória vai se tornando apenas um dia comum; as solenidades cívico-militares não possuem divulgação devida; as escolas não movimentam seus alunos para prestigiá-lo; a população não se desloca para prestigiar, a exemplo do 7 de setembro (que a cada ano reduz seus participantes também). Lembrando que este ano de 2022, comemora-se o Bicentenário de nossa independência.

Seria ótimo se a cultura fosse valorizada, divulgada, difundida; não apenas em nossa cidade das rosas; mas em todo país.

Praça Dom Silvério. Data desconhecida. (Reprodução: www.fotosantigas.blogspot.com)

 

Praça Dom Silvério. (Reprodução: Facebook: BarbaraCenas)

 

PARABÉNS a todos os pracinhas que conduziram no braço o nome de nosso país a um conflito que irá ser contado para sempre; PARABÉNS aos verdadeiros heróis, que mesmo não sabendo exatamente o porquê de estarem ali, lutaram bravamente e libertaram a população da Itália, principalmente nas regiões de Camaiore, Monte Castelo, Castelnuovo, Montese e Fornovo., onde fizeram “a cobra fumar” e “Sentaram a Pua”.

Todos os anos, os italianos realizam solenidades em homenagem a estes homens e mulheres que salvaram seus antepassados, soldados que dividiram o pouco que tinham para comer, com aquela população sofrida pela guerra. Os italianos sentem se honrados e com uma espécie de dívida eterna com o povo brasileiro, mas, aqui no Brasil, não existe dívida, existem comentários que não rotulam os pracinhas como heróis, e sim como velhos que usam boina e medalhas no pescoço e outros, nem mesmo sabem o que significa pracinhas ou o que foi a Força Expedicionária Brasileira e ainda, que o Brasil participou ativamente da Segunda Guerra Mundial.

Antes destes comentários, procurem saber o peso que é a boina e as medalhas que carregam, muitas vezes uma medalha é o peso de uma morte amiga. Aprenda e ensine a seus filhos o que foi e o que passaram os brasileiros que lutaram nos teatros de operações. Aprendam que heróis são os que estão dispostos a morrer por um objetivo e na defesa de terceiros, não àqueles que estão na TV.

O Brasil enviou 25.445 soldados para a luta, tendo cerca de 3 mil feridos e mais de 450 baixas. Não deixemos que seus feitos sejam perdidos com o tempo.

Ensine a seu filho e aprenda também, sobre os feitos da FEB na guerra, e que nos dias 08 de maio, quando ouvir uma aeronave da FAB realizando sobrevoos na área do Monumento do Expedicionário, escutar a salva de tiros seguida do depósito de uma coroa de flores no monumento ao som do toque de silêncio, saibam o porquê àqueles “velhinhos” como dizem, vão estar com os olhos lacrimejados e porque ficam com extremo orgulho ao ouvirem e cantarem a Canção do Expedicionário.

Não deixemos a história e a memória dos expedicionários se perderem. Valorize-a. entenda-a, estude-a. Dê valor aos Monumentos da Segunda Guerra, e se sua cidade possuí-lo; faça com que a prefeitura cuide muito bem deles; pois são a lembrança destes heróis e histórias, as quais devem ser rendidas homenagem e reconhecimento.

Que nossa história nunca fique esquecida e que as gerações do presente e futuro, possam entender a importância e o reflexo dos acontecimentos passados em nossa sociedade atual, bem como, as ações do presente e seus impactos no futuro.

NOTA DA REDAÇÃO – Fabrício Robson de Oliveira, Especialista em Direito Internacional; Bacharel em Direito; Téc. Enfermagem e Pesquisador em Segurança e Defesa

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