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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Água é o tema da 10ª edição do Festival Artes Vertentes em Tiradentes

    Um dos mais importantes festivais de artes integradas do país, o Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes está completando 10 anos.  A décima edição apresenta uma intensa programação que abrange as diversas linguagens artísticas que, tradicionalmente, integram a programação do festival – música, literatura, cinema, artes visuais e artes cênicas – e será realizado em dois períodos: entre os dias 25 de novembro e 20 de fevereiro de 2022.

    A primeira parte do festival, realizada entre os dias 25 de novembro e 05 de dezembro, começa com um concerto de piano a quatro mãos, conduzido pelos pianistas Cristian Budu, vencedor do renomado Concurso Internacional de Piano Clara Haskil (Suíça), e Gustavo Carvalho, também diretor artístico do Festival Artes Vertentes. As composições de Mozart, Schubert e Brahms convidam o público a uma viagem pelas águas do Danúbio, propondo já o início do diálogo com o elemento H₂O, mote curatorial da 10ª edição do evento. Apontado como uma nova referência no mundo pianístico, Cristian Budu estará também presente no segundo período do Festival Artes Vertentes, em fevereiro.

    O concerto é também a primeira homenagem à socióloga Bárbara Freitag e ao diplomata Sérgio Paulo Rouanet, homenageados do Festival Artes Vertentes em 2021 e conflui com a criação do Instituto Rouanet, com sede em Tiradentes, que se dedicará a proteger e expandir o legado do pensamento do casal Freitag-Rouanet, em defesa da cultura e da educação, em uma perspectiva universalista e iluminista, com uma ênfase na emancipação e no respeito à dignidade humana, em favor da razão, da liberdade e dos direitos humanos e contra toda e qualquer forma de repressão.

    No dia 25, será inaugurada, também no Centro Cultural, a exposição “Brasil, Hy-Brasil”, do jovem artista visual Eduardo Hargreaves. Por meio da pintura, de objetos e de animações, o artista mineiro reflete sobre as relações construídas entre o íntimo de um indivíduo e o lugar e paisagem que o norteiam. “Eduardo Hargreaves apresenta-nos lugares que não buscam desvelar a beleza natural ou lidar com as associações de significado e reconhecimento entre as construções humanas e naturais – relevos, árvores e rios. São lugares que não oferecem um belo horizonte; nem um nascer ou um pôr-do-sol.”, aponta Carvalho, curador da exposição e diretor artístico do Festival Artes Vertentes.

    Residências Artísticas

    Reafirmando o seu propósito de transformar Tiradentes em uma plataforma de encontros e fomentar o diálogo entre a arte contemporânea e o rico patrimônio arquitetônico de Tiradentes, a primeira etapa do Festival Artes Vertentes recebe, ainda, quatro residências artísticas em 2021: os ilustradores Marilda Castanha e Nelson Cruz, a ceramista francesa Mari Mael e o artista visual capixaba Rick Rodrigues. Indicado ao Prêmio Hans Cristian Andersen, prêmio equivalente ao Prêmio Nobel para a ilustração, Nelson Cruz se propõe a realizar o mapeamento das árvores existentes no município de Tiradentes, assim como a percepção dessa flora como uma grande farmácia a céu aberto. O processo integrará a população tiradentina, promovendo um diálogo entre a oralidade local e o importante conhecimento transmitido pelos artistas viajantes naturalistas sobre a flora da região. A presença da água no município de Tiradentes e na região, a rica biodiversidade ligada a este elemento, o Rio das Mortes e o simbolismo deste curso fluvial na história de Minas Gerais, estado profundamente marcado pelo extrativismo mineral, são os impulsos que guiarão os processos artísticos de Mari Mael e Rick Rodrigues. Já Marilda Castanha concluirá durante a sua residência uma instalação que começou a ser concebida durante dois tempos de residência artísticas anteriores, realizados em novembro/dezembro de 2020 e julho de 2021. Às vésperas do centenário da Semana de Arte Moderna, Cobra Norato será o protagonista da instalação, um processo coletivo, realizado com as crianças, adolescentes e adultos de Tiradentes que participam da Ação Cultural Artes Vertentes. “Debruçarmos hoje sobre o mito de Cobra Norato é não só uma forma de darmos visibilidade à riqueza da sabedoria popular, como também a de traçarmos reflexões cada vez mais urgentes sobre a Água e sua respectiva preservação. Qual seria o mundo de Cobra Norato hoje?”, relata a artista mineira. As residências artísticas do Festival Artes Vertentes são realizadas em parceria com o Sesc em Minas.

    Desde 2012, ininterruptamente, o Festival Artes Vertentes vem apresentando uma programação artística que estimula diálogos entre as mais diversas linguagens artísticas e propõe, por meio da arte, reflexões sobre temas de relevância para a sociedade contemporânea. Nas últimas edições, cerca de 250 artistas de 33 países diferentes fizeram parte desta história. Além disso, anualmente, o Artes Vertentes homenageia artistas e personalidades de relevância para a história brasileira – Bárbara Freitag e Sérgio Paulo Rouanet dão continuidade a uma série de homenageados que inclui o pianista Nelson Freire (2012), a atriz e bailarina Dorothy Lenner (2019) e até mesmo uma homenagem póstuma à psicóloga Nise da Silveira (2016).

    Na sua décima edição, o Festival retoma o formato presencial e dá continuidade ao tema já trabalhado em 2020: o elemento Água. Luiz Gustavo Carvalho, diretor artístico do Festival, explica o porquê: “a água é muito importante e conta a nossa história, a passagem entre o reino da vida e da morte, do Velho ao Novo Mundo, território que permite infinita exploração, muitas vezes carregando em si a origem da vida e podendo penetrar os mais inóspitos territórios. Nós somos água.” A Água já esteve no centro da programação do Festival Artes Vertentes em 2020, em uma edição realizada no formato híbrido. O conteúdo gerado nesta ocasião permanece disponível para o público no canal YouTube do Festival Artes Vertentes (www.youtube.com/artesvertentes). “Desde o seu nascimento, o Festival Artes Vertentes se propõe a ser um grande fomentador também da arte contemporânea nas suas mais diversas linguagens. E esta história não termina aqui. São 10 anos de uma história contada por meio da arte e estreitamente ligada ao rico patrimônio da cidade mineira de Tiradentes. Além disso, os artistas residentes trabalharão com as crianças e adolescentes de Tiradentes, envolvendo ativamente a população tiradentina na sua programação. O resultado deste envolvimento será apresentado para o público na segunda etapa do festival, entre os dias 10 e 20 de fevereiro 2022, em uma programação muito especial, a qual será anunciada no início do primeiro período do Artes Vertentes”, explica Maria Vragova, diretora executiva do Festival Artes Vertentes.

    Para a segunda parte do festival, que acontecerá entre os dias 10 e 20 de fevereiro de 2022, o Artes Vertentes já tem confirmada a presença de importantes nomes do cenário artístico brasileiro e mundial: o fotógrafo cubano Nelson Ramirez de Arellano, o poeta Guilherme Gontijo Flores, o pianista russo Jacob Katsnelson e a soprano Eliane Coelho, entre outros. A programação do segundo período do Festival Artes Vertentes será anunciada no dia 25 de novembro.

     

    Mais sobre os artistas:

    Cristian Budu

    Brasileiro filho de romenos, Cristian Budu desponta como uma nova referência no mundo pianístico. Vencedor do renomado Concurso Internacional Clara Haskil (Suíça), seu primeiro CD solo ganhou o “Editor’s Choice” na Inglaterra e cinco “Diapasons” na França. Atuou como solista à frente da Orquestra Sinfônica de Lucerna, Orquestre de la Suisse Romande, Orquestra Sinfônica da Rádio de Stuttgart, OSESP, Orquestra Filarmônica de Montevideo, OSB, Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, entre tantas outras. Apresentou-se como solista em importantes salas como o KKL de Lucerna, Ateneu de Bucareste, LAC de Lugano, Liederhalle, Jordan Hall e Sala São Paulo. Participa regularmente de importantes festivais e séries na Europa e nas Américas, entre os quais destacam-se “Les Grands Interprètes” de Genebra, “Klavierissimo” de Zurique, “Piano aux Jacobins” (França), Rockport Music Festival (EUA), Zermatt Festival (Suiça), Delft Chamber Music Festival (Holanda), Frankische Musiktage – série ‘Rising Stars’ (Alemanha), Festival Internacional de Piano de Monterrey (Mexico), Festival Internacional de Campos do Jordão e o Festival Verbier (Suíça). Cristian Budu é o criador do projeto Pianosofia, que tem apoio da Sociedade Cultura Artística, no intuito de “acordar” e recuperar os pianos que existem nas casas das pessoas, e promover a música de câmara e músicos locais.

     

    Gustavo Carvalho:

    Gustavo Carvalho estudou com Magdala Costa em Belo Horizonte, com Oleg Maisenberg em Viena, e com Elisso Virsaladze no Conservatório Tchaikovsky de Moscou. Venceu o II Concurso Nelson Freire no Rio de Janeiro. Se apresentou em importantes salas de concerto, tais como a Tonhalle de Zurique, Musikverein de Viena, Auditorium du Louvre, Philharmonie am Gasteig de Munique e a Grande Sala do Conservatório Tchaikovsky de Moscou. Em 2011, realizou a integral das 32 Sonatas de Beethoven em Belo Horizonte. Solista de diversas orquestras, tocou sob a regência de Ira Levin, Howard Griffiths, Yuri Bashmet e Evgeny Bushkov, dentre outros. Como camerista, colaborou com os violinistas Geza Hosszu-Legocky e Daniel Rowland, os pianistas Nelson Freire, Elisso Virsaladze e Cristian Budu, a soprano Eliane Coelho e com membros das Orquestras Filarmônicas de Viena e Berlim. Foi apontado pelo Le Monde de la Musique (2004) como um dos pianistas mais promissores de sua geração. O seu interesse pela música contemporânea leva-o a colaborar com diversos compositores de renome no cenário internacional tais como György Kurtág, Samir Odeh-Tamimi, Harry Crowl e Sérgio Rodrigo.

     

    Eduardo Hargreaves

    Eduardo Hargreaves nasceu em 1994, em Juiz de Fora. Viveu em Belo Horizonte até os 26 anos, onde concluiu bacharelado em artes visuais com habilitação em desenho pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, em 2017. Desde 2014, participa de diversas exposições individuais, coletivas e residências artísticas. Premiado pelo programa Mostras BDMG em 2018, com a exposição “Cartas para um lugar”, segue para realizar suas três primeiras exposições individuais no mesmo ano. Enquanto artista residente do Atelier Aberto, no Centro Cultural da UFMG, em 2019, passa a integrar o grupo Escotoma, do qual fez parte por dois anos. Em 2021, foi artista convidado na residência artística internacional Regards d’Artistes sur l’Urbanisme, em Tourcoing, França. Hoje vive e trabalha em Tiradentes.

    Rick Rodrigues

    Artista multidisciplinar nascido em João Neiva (ES), onde vive e trabalha. É graduado em Artes Plásticas e Mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Sua pesquisa explora o espaço da intimidade, do devaneio, da imensidão e de sensibilidade compreendidos através da fenomenologia poética da casa, da morada como proteção e espaço de habitação. Trabalha com séries de desenhos, gravuras, bordados, objetos e pequenas instalações. Nesse contexto, o processo criativo do artista enfatiza a técnica do bordado na discussão da contemporaneidade e da tradição junto a abordagens sobre memória, gênero, afetividade e sexualidade. Rick Rodrigues integra o grupo Almofadinhas, também formado por Fábio Carvalho (RJ) e Rodrigo Mogiz (BH). O artista possui obras em acervos institucionais e particulares.

     

    Marilda Castanha

    Marilda Castanha nasceu em Belo Horizonte. No final dos anos 80, se formou  em desenho na Escola de Belas Artes da UFMG. Nesta mesma época  começou também a se dedicar à criação de ilustração de livros para a infância, colaborando com importantes editoras brasileiras tais como a  Cia das Letrinhas, ed. Positivo, FTD, Peirópolis, Lê/ Abacatte, Scipione e Nova Fronteira. Entre as premiações destacam-se dois  Prêmios Jabuti, na categoria Ilustração, (em 2000 e 2011, respectivamente com os livros “Pindorama, terra das Palmeiras” e “Mil e uma estrelas”). Em 2017, na Coreia do Sul, foi premiada na categoria Purple Island, do Nami Concours, com o livro de imagens “Sem fim”. A sua obra integrou a programação do Sesc Belenzinho (São Paulo), do 7º Festival Internacional de Quadrinhos – FIQ  (Belo Horizonte) e da Bienal de Literatura do Rio de Janeiro. Marilda castanha foi convidada também  em várias edições da mostra Le Immagini della Fantasia, em Sármede, cidade do norte da Itália. Em 2021, participa da Bienal Internacional de Ilustração de Bratislava. Vive e trabalha em Santa Luzia.

     

    Nelson Cruz

    Indicado para o prêmio Hans Christian Andersen pelo conjunto da sua obra, os livros do ilustrador mineiro Nelson Cruz receberam os principais prêmios do mercado editorial brasileiro, entre os quais se destacam o Prêmio da Biblioteca Nacional, da APCA, da ABL, além de seis prêmios Jabutis. Desenhista autodidata, em meados dos anos 70, estudou pintura por dois anos no ateliê-galeria da pintora Esthergilda Menicucci, em Belo Horizonte. Nessa época, conviveu com cartunistas, descobrindo no desenho de humor e na caricatura uma segunda paixão. Como caricaturista, contribuiu com diversos jornais brasileiros. Desde 1998, trabalha como autor e ilustrador para o mercado editorial brasileiro, colaborando de maneira regular com as principais editoras do país. Em 2012, os originais do livro Alice no telhado, de sua autoria, participaram da exposição Tea with Alice, homenagem aos 150 anos do livro Alice no país das maravilhas, no Museu de História de Oxford (Inglaterra) e na Fundação Gulbenkian, em Lisboa (Portugal). Em 2021, representa o Brasil na Bienal Internacional da Bratislava (Eslováquia), com ilustrações dos livros Sagatrissuinorana e Se os tubarões fossem homens, de Bertolt Brecht.

     

    PROGRAMAÇÃO DA PRIMEIRA ETAPA DA 10ª EDIÇÃO DO FESTIVAL ARTES VERTENTES:

    Recital de abertura do Festival Artes Vertentes
    com os pianistas Cristian Budu e Gustavo Carvalho

    Data: 25 de novembro, quinta-feira

    Horário: 19h30

    Local: Igreja São João Evangelista

    Endereço: Rua Padre Toledo  – Tiradentes – MG

    Programa: Obras de Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Schubert e Johannes Brahms

     

    Exposição “Brasil-hy-Brasil”, de Eduardo Hargreaves

    Abertura: 25 de novembro

    Visitação: 25 de novembro a 30 de dezembro

    Local: Centro Cultural Yves Alves

    Endereço: Rua Direita, 168 – Centro – Tiradentes – MG

    Telefone: (32) 3355-1604

    Entrada gratuita

     

    Protocolos sanitários:

    Serão seguidos todos os protocolos de combate à COVID-19, como a obrigatoriedade do uso de máscara, e o distanciamento de 1,5 m nos lugares fechados.

    Mais informações no site www.artesvertentes.com. A programação do segundo período do Festival será divulgada, no dia 25|11.

     

    Assessoria de Imprensa:

    Bárbara Chataignier (21) 99738-1243 – [email protected]

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