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Afinal, por que dizemos que os chimpanzés são os animais mais próximos de nós na árvore da vida?

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Nos últimos tempos tenho recebido diversas perguntas sobre a relação entre macacos e a humanidade, acredito que por conta de informações divulgadas na mídia em geral sobre descobertas recentes, ou mesmo em função de outros artigos que escrevi ou que oriento, via IF, graduação em Ciências Biológicas, nesse jornal. Bom, a priori, duas coisas são importantes serem destacadas: (1) somos animais, primatas, mamíferos; (2) quando dizemos que Chimpanzés são os mais próximos de nós dentre os seres vivos, não significa dizer que descendemos deles, mas sim que temos ancestralidade comum.  O conceito de “macaco” é atribuído a todos os primatas (pela população em geral) seja aqueles de hábitos totalmente arborícolas, como os micos, e os semi arborícolas, como Gorilas e Chimpanzés, que podem viver também em solo. Se todos os primatas são tidos como macacos, por qual razão nós, humanos, que estamos dentro da mesma grande Ordem na qual todos os “macacos” se encontram, não podemos ser assim considerados? Bora entender melhor?

Muitos afirmam que macacos são apenas Gorilas, Chimpanzés e Orangotangos, mas não é bem assim, tendo-se, inclusive, em vista que mesmo na origem do termo (makako, africana), que se refere a um grupo muito maior de primatas (ou todos). Na verdade, o termo é mais popular do que científico e, em geral, sendo popular, corre grande risco de discriminações, tão freqüentes em nossa história, inclusive contemporaneamente. Para compreender melhor tudo isso, é preciso estar por dentro do que chamamos, na Biologia, de árvore filogenética, ou, mais poeticamente, de árvore da vida. Resumindo bastante (bastante mesmo), sabemos que as espécies atualmente existentes na Terra vieram de outras espécies e que todos temos ancestralidade comum, quanto mais para trás na escala do tempo formos. Sabemos que há 700-800 milhões de anos atrás, por exemplo, já haviam seres vivos complexos, como peixes antigos, na Terra, mas não haviam anfíbios, repteis e mamíferos. Aliás, os mamíferos se diversificaram mesmo após a extinção dos Dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos. Preciso então que foquemos em dois outros aspectos elementares: (1) os primatas apenas passaram a existir nos recentes 60-70 milhões de anos; (2) a humanidade existe há apenas (foquem bastante nisso) 350-400 mil anos. Ou seja, a vida na Terra existe há muito mais tempo (3,5 bilhões de anos) do que a humanidade, que é “algo” muito recente na história da vida.

Feito todo esse recorte temporal, foquemos agora nos últimos 12-6 milhões de anos. É de lá para cá que surgem os Gorilas, Orangotangos, Chimpanzés, Bonobos e os homineos, dos quais fazemos parte. A humanidade vem de uma linhagem evolutiva que depois se dividiu em duas (há 6 milhões de anos), uma tendo o Chimpanzé e os Bonobos, e outra, tendo, nos recentes 4 milhões de anos, seres hominineos, como o Australopithecus, o Homo Erectus, Homo Habilis, Heldebergiensis, Denisova, Neandertal e nós, Homo Sapiens Sapiens. Atualmente, todos os outros hominineos (e o Chipanzé não se encontra nesse grupo) estão extintos – o ultimo deles a se extinguir foi o Neandertal, ao que tudo indica, tendo restado apenas nós, humanidade, como espécie desse grupo extenso de seres complexos, bípedes e com cérebros mais desenvolvidos. 

Isso quer dizer que, tendo todos nossos ancestrais hominineos sido extintos, os mais próximos, em termos evolutivos, de nós, atualmente, são os Chimpanzés, que compartilham 98% do nosso DNA, prova irrefutável de que todos somos macacos sim (o que não significa dizer que viemos de Chimpanzés, que tenhamos nascido deles) e, mais que isso, que na árvore da vida, todos somos parentes, em menor ou maior grau, de todos os seres vivos terrestres. Portanto, largue mão dos seus preconceitos, da arrogância de achar que o homem é a espécie mais importante do planeta: somos muito novos aqui e precisamos aprender, cada vez mais, a respeitar a história da vida e da natureza, que pulsa dentro de nós, de nossas células aos nossos cérebros; de nosso respirar ao nosso entender o mundo. 

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças 

NOTA DA REDAÇÃO – Delton Mendes Francelino. Professor C. Graduação em Ciências Biológicas e coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana no IF Sudeste, Barbacena. Diretor do Instituto Curupira e Doutorando na UFMG. Possui dois livros publicados.

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