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Afinal, o que significa dizer que somos “primos” dos Chimpanzés?

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Por Delton Mendes Francelino 

Imagine um álbum de família, no qual, lá embaixo, estão seus bisavós, depois seus avós, chegando em seus pais e, por fim, a você e seus irmãos. Nessa lógica, que chamamos culturalmente de árvore familiar, ou biologicamente de árvore genealógica, você pode entender quais foram seus antepassados mais recentes, certamente nos últimos 100 anos. Se tu ampliasse a escala, indo até mais de 500 anos atrás, o que veria? Quais pessoas existiram 5 séculos atrás e são responsáveis por sua existência agora? Interessante, não? Agora imagine que façamos a mesma coisa, mas, desta vez, com seres vivos muito próximos de nós evolutivamente, na árvore da vida e que a projeção, ao invés de décadas, seja de milhões de anos. O que você veria?

A árvore filogenética, como descrevemos na Biologia, pode mostrar a ancestralidade de todos os seres vivos existentes na Terra, e dependendo do olhar, podemos focar em uma região específica dessa infinita teia de transformações pelas quais todas as espécies já existentes no planeta passaram. Imagine agora que você tem uma lupa, e que vai focar na parte relativa aos mamíferos, uma das partes mais “novas” dessa árvore da vida, mais especificamente ainda nos primatas. Prontinho: você está vendo uma variedade enorme do que popularmente chamamos de macacos – alguns, bem antigos, com cerca de 50 milhões de anos, vivendo só em árvores, outros, há cerca de 7 milhões de anos, já andando de quatro pela África…e eis que, focando um pouco mais adiante, aparecerem macacos bípedes, andando como nós, em pé, junto com alguns outros, não bípedes totais, mas também complexos e recentes, como gorilas, orangotangos e chimpanzés, muito próximos de nós na árvore da vida. . O que isso significa?

Sabemos que todas as espécies de seres vivos existentes atualmente na Terra vieram de outras espécies, pela Evolução. A partir de seres muito simples, como bactérias, transformações foram ocorrendo até que, após 3,5 bilhões de anos, o homem surge, num processo complexo de milhões de anos, na África. Quando observamos os Chimpanzés e seu DNA reparamos que somos 98% parecidos, o que mostra que eles são os seres vivos mais próximos de nós na evolução, mas não que viemos diretamente deles: como as espécies evoluem em mosaico, e não numa linha reta, ancestrais nossos, como o Homem de Neandertal, que já foi extinto, não podem mais ser considerados como seres viventes próximos de nosso atual ramo biológico. Ou seja: o ser vivo ainda existente, que mais se aproxima de nós geneticamente, é o Chimpanzé, por isso dizemos que é nosso “primo”.

Todavia, precisamos ter muita atenção com alguns fatores: (1) como eu disse, a evolução das espécies não ocorre em linha reta, mas sim em mosaico. Isso nos faz dizer que aquela imagem típica, de um macaco andando de quatro e se transformando num ser bípede até chegar na humanidade, é equivocada; (2) várias espécies de primatas mais próximos de nós, como o Homo Erectus, o Homo Heidelbergenses e o Homo de Neandertal, não são ditos como nossos “primos” contemporâneos, porque foram extintos. Claro que se existissem ainda, os chimpanzés não seriam os seres vivos atuais mais próximos de nós evolutivamente. Então precisamos estar atentos, se estamos focando num referencial de todas as espécies já existentes, ou se estamos falando sobre as espécies ainda vivas, que habitam a Terra junto a nós. Mas, num âmbito geral, é sempre importante destacar a beleza de tudo o que a ciência já descobriu e continua descobrindo, e que nos faz perceber que somos parte de uma rede indissociável de fatores, que compõem o que chamamos de vida da Terra. 

Apoio Divulgação Científica: Samara Autopeças e Barbacena Online

NOTA DA REDAÇÃO – Delton Mendes Francelino é professor e pesquisador no IF Barbacena, graduação em Ciências Biológicas, sendo coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana na mesma instituição. É diretor do Instituto Curupira e coordenador do projeto Ecological Resources, nos EUA.  Doutorando na UFMG, possui dois livros publicados. 

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