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Afinal, o aquecimento global existe ou não?

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Por Delton Mendes Francelino

Cresceu nos últimos anos a quantidade de pessoas que, mesmo sem qualquer conhecimento científico, defende que a Terra não passa por processos de aquecimento global. Amparados em discursos de algumas pseudociências e até não ciências, muitos associam os debates à defesa da Terra plana, da não evolução das espécies, ou, ainda, a algumas argumentações que defendem posicionamentos particulares como verdades absolutas, sem qualquer formação técnica ou científica. Entretanto, há sim uma corrente de cientistas que, embora pequena, defende que a humanidade não provoca qualquer interferência no quadro climático mundial. Mas, afinal, nós podemos ou não alterar perfis naturais do clima terrestre?

Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro que  nosso planeta tem um efeito estufa natural, ou seja, a nossa atmosfera, bem mais densa que a de Marte, por exemplo, consegue “armazenar” energia proveniente da luz solar, fazendo com que tenhamos temperaturas médias bem acima de 0ºC em grande parte do Globo. O efeito estufa, portanto, é um fenômeno natural e sem ele o planeta seria uma enorme “esfera congelada”. Isso quer dizer, então, que a humanidade não provoca aquecimento global? É ai que precisamos tomar cuidado: não é porque o efeito estufa é natural que significa que não possamos o potencializar – e isso ocorre, sem duvidas, a partir de maior concentração de CO2 e CH4, moléculas com Carbono e que, por isso, conseguem acumular energia, aumentando as temperaturas médias globais. Significa dizer que sim, tendo a humanidade se desenvolvido nos recentes séculos a partir de uso de combustíveis fosseis, como o gás, carvão e combustíveis como a gasolina, emissores de CO2, intensificou, como várias pesquisas mostram, a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera, possibilitando o aumento da temperatura média global (não apenas em níveis locais).

Vale destacar que o aquecimento global pode ser natural, tendo até ocorrido várias vezes na história da Terra, sobretudo por atividades vulcânicas. No entanto, mais uma vez, precisamos ter o olhar crítico sobre as ações humanas e reconhecer que temos lançados bilhões de toneladas de gases poluentes todos os anos e que nossos ecossistemas, terrestres, aquáticos e oceânicos, não conseguem absorver tudo isso em tão pouco tempo. Importante também sempre salientar que nosso planeta, não sendo plano, e sim um geóide, e por se mover em torno do Sol com uma inclinação, apresenta características importantes que favorecerão variações de temperatura (estações), dependendo da posição em relação à nossa estrela. Cuidado então, ao defender que o aquecimento global não existe dizendo que se ocorresse não teríamos frio: é uma extrema ignorância um discurso assim.

Em término, é preciso, mais uma vez, fazer um pedido: ao terem acesso a informações, caros leitores, observem as fontes. Se têm dúvidas, entrem em contato com universidades ou cientistas próximos (podem me mandar mensagem via whats: 32 9 8451 9914). O obscurantismo tem crescido assustadoramente no Brasil, junto a pseudociências que se baseiam meramente em opiniões, achismos, sem qualquer observação crítica e metodológica do mundo. Não há possibilidade de um pais mais justo, crítico e sustentável sem a ciência, então, buscar conhecimento de forma crítica e consciente, é elementar. A Terra não é plana e gira sim em torno de uma estrela – o Sol; a humanidade pode sim intensificar os processos de aquecimento global e, mais uma vez: todos viemos de processos evolutivos biológicos que perduram há mais de 3.5 bilhões de anos – portanto, sermos humildes e conscientes são práticas que devem ser comuns no nosso dia a dia, a todo o instante. 

NOTA DA REDAÇÃO – Delton Mendes Francelino é professor e pesquisador no IF Barbacena, graduação em Ciências Biológicas, sendo coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana na mesma instituição. É diretor do Instituto Curupira e coordenador do projeto Ecological Resources, nos EUA.  Doutorando na UFMG, possui dois livros publicados. 

Apoio Divulgação Científica: Samara Autopeças

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