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  • Acontecimentos e heróis brasileiros (quase) esquecidos: o dia do quase 11 de Setembro no Brasil – o sequestro do voo VASP 375

    Por Fabrício Robson de Oliveira, Especialista em Direito Internacional – Pesquisador em Segurança e Defesa

    Nota do autor: Resolvi escrever uma espécie de série, intitulada: ACONTECIMENTOS E HERÓIS BRASILEIROS (QUASE) ESQUECIDOS; que irei publicar sempre na primeira sexta-feira de cada mês; com o intuito de reavivar a mente da população sobre tais fatos e pessoas. Não deixemos as histórias se perderem. Valorizemos nossos inúmeros heróis nacionais, muitas vezes caídos no esquecimento ou no anonimato.

    Procurei escrever de uma forma simples, sem uma abordagem muito técnica e formal; porém, sempre colocando meus pontos sobre Segurança e Defesa nos mesmos.

    Neste primeiro texto, resolvi contar a história: O DIA DO QUASE 11 DE SETEMBRO NO BRASIL – O sequestro do VOO VASP 375.

     

    O ano era 1988; ano este de vários acontecimentos relevantes e simbólicos no Brasil e no mundo; como a Promulgação da Constituição Brasileira; Criação do SUS; Ayrton Senna conquistava seu 1º Campeonato Mundial de Fórmula 1; acontecia os Jogos Olímpicos em Seul na Coréia do Sul; assassinato de Chico Mendes; Naufrágio do Bateau Mouche IV; dentre outros; porém, houve um acontecimento em território nacional que (quase) ninguém conhece ou se lembra; que foi o dia que um avião foi quase jogado no Palácio do Planalto; fato conhecido como o Sequestro do voo 375.

    Para entendermos um pouco desta história, temos que entender o contexto daquela época. O Brasil passava por um período complicado; com inflação acumulada que passava dos 400% ao ano, além de conviver com vários indexadores financeiros. A moeda oficial era o Cruzado e o Presidente da República era José Sarney (1985 – 1990); que naquele momento possuía recorde de popularidade negativa. Creio que todos se lembram ou já ouviram falar da hiperinflação que acontecia; onde o preço do mesmo produto chegava a dobrar de um mês para o outro; além de uma recessão que puxava o desemprego. A segurança nos aeroportos era precária e não existia revista de bagagens e raio-x em aeroportos mais remotos, como era o caso do Aeroporto de Confins em Belo Horizonte; ressaltando ainda, que antes dos atentados de 11 de setembro de 2001; as pessoas podiam visitar as cabines das aeronaves.

    No dia 29 de setembro de 1988; a aeronave BOEING 737-317, de prefixo PP-SNT, operava o voo VP 375 da VASP, que realizava voo partindo do Aeroporto Internacional de Porto Velho, em Rondônia com destino ao Aeroporto Internacional do Galeão no Rio de Janeiro. Era uma rota longa e cansativa, com escalas em Cuiabá, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. Na manhã deste dia, em sua última escala, que sairia de Confins em BH para o Rio de Janeiro, desembarcaram 37 passageiros; a aeronave foi reabastecida e embarcavam 60 passageiros, juntando aos 38 que já se encontravam na aeronave devido as outras etapas. Dentre os últimos embarcados, estava o Maranhense, Raimundo Nonato Alves da Conceição, de 28 anos.

    Raimundo foi tratorista em diversas empresas de construção, chegando a trabalhar em obras da empreiteira Mendes Junior no Iraque. Ele encontrava-se desempregado e não conseguia arrumar outro emprego, vivendo de alguns “bicos” e resolveu punir quem ele achava culpado pela má situação pela qual ele e o país enfrentava, culpando assim, segundo seu juízo, José Sarney, presidente àquela época; decidindo sequestrar um avião comercial e obrigar o piloto a lançar a aeronave contra o Palácio do Planalto.

    Nonato, então, dando início a seu plano, comprou sua passagem de ida para o Rio de Janeiro no balcão da VASP em Belo Horizonte. Apesar de não exigirem à época a apresentação de documentos; Raimundo informou seu nome completo corretamente, tendo o funcionário digitado no computador apenas “Conceição, Raimundo”. Ele embarcou na aeronave naquela manhã de quinta-feira, portando um revólver calibre 32 e uma caixa de munição dentro de sua bagagem, sentou-se na terceira fila, poltrona 3C. Naquela época não existia lugares marcados. Ele não guardou sua mochila, deixando-a em seu colo todo o tempo. Por volta das 10h52 da manhã o VP 375 decolou em direção ao Rio de Janeiro com 98 passageiros e 07 tripulantes.

    O voo seguiu tranquilo e quando se aproximava do Aeroporto do Galeão para pousar; Raimundo levantou-se e foi direto para o cockpit da aeronave; chegando lá, ele forçou a porta, tendo em vista que a mesma encontrava-se trancada; o Comissário Ronaldo Dias o abordou falando que ele não podia entrar, pois era a cabine de pilotagem, foi quando Raimundo sacou o revolver e atirou no Comissário, acertando-o de raspão na orelha; alojando o projétil na parede de pressurização da aeronave; logo após, Raimundo começou a disparar contra a fechadura do Cockpit. Neste momento, o copiloto; Salvador Evangelista (Vângelis), 34 anos; ouvindo os disparos, reportou para o Comandante que havia alguém armado no avião. Na cabine ainda estava o Engenheiro de voo, Gilberto Renhe, 33 anos, que estava sentado no Jump Seat e foi atingido na perna, por um dos disparos na porta. Acabando a munição do tambor; Raimundo a recarregou rapidamente, sem ninguém o impedir. Com os projeteis furando a porta (as portas não eram blindadas naquela época) e atingindo o painel de instrumentos, o Comandante do voo, Fernando Murilo de Lima e Silva, 41 anos, pediu para que a porta fosse aberta, pois se não; todos iriam morrer ali. Naquele momento, os passageiros estavam abaixados e em pânico, sem entenderem ao certo o que acontecia na cabine.

    Com a porta da cabine aberta, a primeira coisa que Raimundo disse foi: “Vamos para Brasília”. Naquela confusão na cabine, o Comandante Murilo, alterou o código do transponder para 7500 (Código Universal de Sequestro). Neste momento, o Centro Integrado de Defesa Aérea foi informado que havia uma aeronave em sequestro. O Controle chamou o VP 375 pelo rádio, pedindo para confirmar a mudança de rota; procedimento realizado devido a estranheza daquele código em território nacional e falta de treinamento para abordagem daquela situação; procedimento hoje, não mais realizado para a segurança da cabine. Naquele momento, o Copiloto se abaixou para pegar o microfone para responder para o Controle; Raimundo deu um tiro fatal na nuca do copiloto. O comandante Fernando Murilo, segurou seu manche para que o piloto automático não desarmasse devido à pressão de seu companheiro sob os comandos e murmurou em seu headset ao Controle: “Ele matou meu Copiloto”. Murilo continuou olhando para os instrumentos danificados pelos tiros; em lágrimas, apenas perguntava o porquê do sequestrador ter feito aquilo; e ele disse: “Ele ia tentar alguma coisa”. O copiloto Salvador Evangelista deixava uma filha, que iria completar 8 anos de idade, 5 dias após o sequestro. Ela esperava o pai para comemorar seu aniversário, dia este que nunca chegou.

    Copiloto Salvador Evangelista e sua filha Wendy (Foto Wendy Fernandes Evangelista)

     

    O comandante Murilo lamentando a morte de seu amigo e aquela situação, tentando não olhar para seu companheiro caído ao seu lado; o sequestrador colocou a arma na cabeça do Comandante e ordenou que seguisse rumo a Brasília, indagado, o sequestrador disse que “iriam para Brasília, jogar o avião no Palácio do Planalto e matar o Presidente”. Murilo pensou a melhor maneira de ir a Brasília economizando combustível; pois o destino daquele voo era o Rio de Janeiro. Durante o voo, os comissários e passageiros tentavam ajudar os feridos, sob o olhar atento de Raimundo que ficava na porta do cockipit apontando a arma para os lados.

    Murilo, com o microfone aberto, informou ao sequestrador que talvez o combustível não desse para chegar a Brasília, deixando o CINDACTA ciente de sua rota; mas tal informação não amedrontou Raimundo, dizendo que dava para chegar.

    Na Capital Federal, os órgãos de segurança foram informados, cada um tomando suas devidas providências, incluindo o destacamento de um Caça Mirage III da Força Aérea Brasileira, que decolou da Base Aérea de Anápolis para interceptar e acompanhar o voo, sendo este, notado por Murilo. O aeroporto de Brasília era preparado para talvez, uma negociação e os policiais treinavam assalto em uma aeronave similar ao PP-SNT. O presidente sabendo do ocorrido, cancelou todos os seus compromissos daquele dia, porém, não sabia que o alvo era ele.

     

    Foto do Caça Mirage III perseguindo o Boeing da Vasp (reprodução TV Globo)

     

    Os passageiros seguiam em silêncio, com pequenos cochichos; as pessoas das primeiras filas conseguiam ver o corpo do copiloto caído de lado sob o manche. Era uma situação inimaginável. Os passageiros notaram a mudança de rota, porém, não imaginavam que o destino seria o Palácio do Planalto; talvez, se soubessem, iriam tentar algo contra o sequestrador, mas poderia ocorrer algo errado; um tiro poderia despressurizar a aeronave, haveria pânico e ainda mais mortes.

    Ao ingressar no espaço aéreo de Brasília, toda a imprensa já transmitia ao vivo o sequestro do VASP. Murilo ao ver surgir a Capital Federal, o Plano Piloto estava meio encoberto e não dava para enxergar o aeroporto e nem a ponta do Eixo Monumental onde ficava o Palácio do Planalto, alvo do sequestrador; bloqueando a visão por causa das nuvens. O comandante Murilo tentava a todo momento convencer Raimundo de pousar em Brasília ou Anápolis, pois os militares iriam abater a aeronave e/ou iria acabar o combustível em pleno voo, enquanto fingia conversar com a Torre da Capital, falando que estava fechado. Não dava para pousar porque o tempo estava fechado. Na verdade, o comandante “seguia” as nuvens, para o sequestrador não notar Brasília.

    A notícia do sequestro do Vasp 375 já era falado em todo Brasil e sem saber exatamente onde a aeronave iria pousar; as emissoras de televisão optavam por transmitir de Brasília e apresentavam flashes ao vivo do aeroporto da capital. No Rio de Janeiro, destino original do VP 375, parentes e amigos dos passageiros estavam aflitos, junto ao balcão de atendimento da VASP, em busca de informações.

    Todos a bordo já se preocupavam com o combustível e Raimundo indagava Murilo onde estava Brasília. O comandante voava em círculos em volta da capital, torcendo para Raimundo não vê-la e retornar a sua ideia de atingir o Palácio do Planalto; sempre falando que Brasília estava fechado. Raimundo então falou para pousar em Goiânia, mas o comandante não tinha certeza se daria, pois seria 20 minutos de voo. O avião estava voando há mais de 3 horas desde sua saída de Confins. Ao avistar aliviado Goiânia, Raimundo, encostando a arma nas costas do Comandante, disse para irem para São Paulo e o Comandante insistia que não dava.

    O caça Mirage III continuava seguindo o VASP, pois, caso houvesse uma queda, haveria testemunhas e o local do desastre seria imediatamente plotado pela Força Aérea, o que otimizaria a chegada de equipes de socorro.

    Neste momento, em rota para Goiânia, a aeronave de capacidade para 50 mil libras de combustível, estava apenas com 1.800 libras; era como se um automóvel estivesse na reserva de combustível do tanque.

    Então, o comandante Fernando Murilo percebendo que o sequestrador não queria pousar e iria dar-lhe um tiro se não o obedecesse, resolveu fazer algo que nunca ninguém tinha feito ou pensado, em um BOEING 737. Tendo em vista a situação caótica, decidiu derrubar o sequestrador de alguma forma; e então, resolveu virar a aeronave de cabeça para baixo, manobra chamada de tonneau barril. Embora tonneau fosse realizado em aeronaves militares de treinamento ou de caça, tal manobra seria instável em um avião comercial, não sabendo suas consequências ao vetor. Murilo iria tentar pousar no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, cuja pista via à sua frente, um pouco à esquerda. Durante a manobra, via-se Goiânia de cabeça para baixo. Os passageiros que estavam com os cintos, gritaram sentindo a força G, porém, ninguém caiu. Para tristeza do comandante, o sequestrador continuava de pé, agarrado a uma cortina do cockpit e ainda, empunhando seu revólver.

    Após o tonneau, o motor esquerdo parava por falta de combustível. Avistando ainda Goiânia; Murilo decidiu executar outra manobra; um parafuso. A aeronave entra em Estol (perda de sustentação) e cai de bico, girando as asas como um pião. O VASP 375 mergulhou sobre a cidade de Goiânia com as asas em rodopio e a cada giro, o Comandante temia que as asas se soltassem. Na cabine de passageiros, havia uma gritaria, escutavam os alarmes da cabine; pensamentos assustadores… era quase certeza de um fim certo.

    Após três giros, o Comandante conseguiu estabilizar a aeronave com grande dificuldade, devido, também, ao copiloto morto nos controles; e felizmente, Raimundo caiu do lado de fora do cockpit; porém, com a subida rápida da aeronave para se manter em controle, ninguém conseguiu abordar Raimundo, mesmo com os gritos de “Peguem ele”. Raimundo então; conseguiu se levantar com seu revolver apontado para os passageiros, enquanto o VASP se nivelava, talvez por milagre, em direção na proa da pista do Aeroporto de Goiânia. Fernando Murilo estava pilotando sozinho e tinha que realizar todos os procedimentos para o pouso, além da pressão e circunstâncias. A aeronave sofreu com as manobras, parte do estabilizador se perdeu e caiu em um conjunto de casas populares de Goiânia, por sorte, sem atingir ninguém.

    Para os expectadores no Aeroporto, a aeronave iria cair devido àquelas manobras. Ao apontar na final da pista, tocando seus pneus em solo; o Comandante Fernando Murilo de Lima e Silva acabava de executar uma façanha que entraria para os anais da aviação e da história.

    (manobras acrobáticas realizadas pelo VP 375 (Fonte: aeroin.net)

     

    Na cabine, os passageiros chamavam como o milagre dos céus. O VP 375 tocou o solo às 14h15, ficando no ar por 3 horas e 23 minutos. Havia suspiros de alívio por parte dos passageiros, além do “cheiro do medo” espalhado pela cabine. A aeronave parou em solo com os motores apagados, já basicamente, sem combustível.

    Em solo, alguns passageiros pensaram em abordar o sequestrador, porém, ficaram com medo das consequências. Outros, já pensavam que o avião iria decolar novamente, a exemplo, dos sequestros ocorridos pelo mundo. Passados 15 minutos da aterragem, começaram as negociações do sequestrador com a torre, via comandante, sendo possível pela alimentação do rádio, pelo APU da aeronave, que funcionava com o resíduo restante de combustível, sendo o áudio saindo pelos alto falantes a pedido de Raimundo, para que ouvisse tudo o que acontecia.

    O sequestrador queria que o avião fosse abastecido para seguirem para Brasília; mesmo sabendo que tal pedido iria ser negado pelas autoridades, o fez, mas insistiu em retirar o corpo de seu copiloto da cabine; sendo o pedido rejeitado. Uma passageira pediu pra retirar as mulheres e crianças do voo; porém, foi prontamente negado o pedido.

    Algum tempo depois, uma escada estava sendo conduzida para junto da porta principal do Boeing.  Raimundo autorizara que um trator a trouxesse, desde que o tratorista estivesse vestindo apenas um calção ou cueca. Depois de muita insistência do comandante, o sequestrador permitiu o desembarque do morto e dos feridos; mas não das mulheres e crianças. Mais de meia hora já se passara, desde o pouso, quando o comandante disse pelo alto falante: “Atenção, solicito a presença de um médico na cabine de comando, para socorrer o copiloto, que está ferido”. Embora o médico sentado na oitava fila soubesse que diversos passageiros de Belo Horizonte o conheciam, não se manifestou.

    Depois de alguns minutos, Murilo voltou a chamar pelo alto-falante; solicitando a presença do chefe de equipe e de um comissário à cabine, para remover o copiloto. O chefe de equipe, José Ribamar Abreu Pinho, 36 anos encontrava-se na galley traseira, procurando remédios de enjoo para dar a alguns passageiros que não haviam se recuperado das acrobacias. Não pôde ir imediatamente. Mas Ângela Maria Rivetti Barros Barroso (Angelão), 40 anos, chegou logo ao cockpit, acreditando que Vângelis estivesse vivo; questionando Murilo se ele estaria ferido; ele afirmou que o copiloto estava morto. Ângela não tinha forças e o sequestrador resolveu apressar as coisas, colocando o revólver nas costas da comissária dizendo que estava demorando muito. Ela conseguiu deslocar o corpo da poltrona e o trouxe para o chão, mas sentiu-se desfalecendo; avisando-o que não tinha condições e desmaiou. Após algumas movimentações; conseguiram retirar o morto da galley do avião. Ao ver as roupas cobertas de sangue, e a situação do rosto do copiloto, alguns passageiros das primeiras filas vomitaram. O corpo foi arrastado para a plataforma no alto da escada e a porta fechada por dentro. Os dois feridos desceram carregando o cadáver. Dois maqueiros esperavam do lado de fora e levaram o corpo até uma ambulância posicionada ali próximo. Uma equipe da TV Globo transmitia ao vivo tal cena para todo o país.

    Corpo do copiloto Salvador Evangelista sendo retirado pelo piloto Renhe e pelo comissário
    Ronaldo Dias. (Arquivo O Popular)

     

    Logo após, Raimundo ordenou a retirada da escada; foi atendido; sendo que naquele momento, a polícia interrogava os feridos para levantarem todas características físicas, roupas e armamento do sequestrador.

    De acordo que o tempo passava, os passageiros iam ao banheiro, um a um, autorizados por Raimundo; o comandante Murilo teve que desligar o ar condicionado, para economizar o restante do combustível para o APU, tornando o calor insuportável na aeronave. O aeroporto encontrava-se interditado, mas conseguia pousar aviões menores; sendo que as 15h pousou uma aeronave da FAB – Bandeirante com agentes da Polícia Federal e as negociações continuavam, com Raimundo pedindo reabastecimento.

    As autoridades aeronáuticas haviam decidido que o avião em hipótese alguma seria liberado para decolar, além do próprio presidente da República, que fora ouvido e concordava que nenhuma negociação sobre este ponto seria feita. Nas imediações do Boeing, aos poucos, atiradores de elite iam se posicionando em locais estratégicos e de dentro da aeronave, era possível ver os militares rastejando, não aparentando saber exatamente suas atitudes, pois, a todo momento se agitavam, como se fossem iniciar alguma ação. Os passageiros ficaram aflitos com as possíveis ações do exterior e Raimundo Nonato se inquietava com a movimentação dos soldados, exigindo que fossem afastados. Como não foi atendido de imediato, mandou Murilo avisar as autoridades que iria executar um dos reféns. A ameaça surtiu efeito e o movimento dos militares cessou imediatamente.

    VASP 375 cercado por militares próximo a cabeceira da pista (Arquivo/ Agência O Globo)

     

    O sequestrador então exigia um caça Mirage para sua fuga. Na torre, além do pessoal de serviço e de agentes da Polícia Federal, estava o secretário de Segurança Pública de Goiás e o presidente da VASP, que trouxe consigo o chefe dos pilotos da empresa, um outro comandante, aposentado, que parecia ter ligações com a polícia e que assumiu as funções de negociador. Não podia haver pessoa mais inapta para atuar naquele momento, devido a seu “palavreado”, abordagens e comentários inapropriados para a ação; fugindo da “regra” de negociação.

    Depois de muita conversa, Raimundo consentiu que, em vez de um caça, lhe fornecessem um Bandeirante. Já era 16 horas e o Bandeirante não aparecia, ele então, voltou a exigir que o Boeing fosse reabastecido e levantasse voo rumo a Brasília. Desta vez, a torre respondeu com um “não”, “Impossível”, disse o próprio presidente da VASP. O avião estava danificado, sem estabilizador; não dava para decolar. Às 16h30, chegou ao aeroporto o delegado diretor-geral da Polícia Federal, onde decidiu manter a oferta do Bandeirante. Ele mandou dizer ao sequestrador que, no avião menor, ele poderia voar para Brasília e acertar suas contas com o governo. O plano do delegado era o de neutralizar o sequestrador na hora da troca de aviões, matando-o se necessário.

    Já era noite quando, finalmente, Raimundo concordou com a troca de aviões, mas exigindo que o Bandeirante seria pilotado por uma só pessoa; esse piloto teria de estar de calção, sem camisa e deveria estacionar a aeronave perto da cauda do Boeing. Algum tempo depois, em meio à escuridão da pista de pouso, e iluminado apenas por seus próprios faróis, um trator trouxe uma escada e a encostou na porta traseira do VASP. As 18h45; com a bateria no final, o interior do Boeing encontrava-se quase no escuro, iluminado apenas pelas luzes de emergência. Naquele momento, passadas 08h03 desde a decolagem em Confins; Raimundo Nonato, sendo escudado pelo comandante Murilo e outros 2 tripulantes (Ângela e o comissário Valente), dirigiram a cauda da aeronave, desceram a escada e foram caminhando na pista, rumo ao Bandeirante estacionado.

    O Embraer estava cuidadosamente preparado para uma armadilha. Ele estava sem escadas e sem a porta traseira. Dentro do mesmo, havia um atirador camuflado atrás de uma espécie de cortina preta, armado com uma .765. Sem as escadas, Raimundo deveria ficar com as mãos livres para subir na mesma, momento que seria alvejado. O comandante Murilo o ajudava a subir na aeronave, dando-o calço com as mãos, enquanto os 2 da tripulação se afastavam lentamente, porém, ao começar a subir no avião, o policial atirou prematuramente. O sequestrador não se ergueu o suficiente para subir ao avião e ser atingido.

    O projétil não o acertou e passou rente ao rosto do comandante. Quando ouviu o tiro, Murilo se assustou, desfez o calço das mãos e largou o sequestrador, fazendo o cair no asfalto da pista. Raimundo levantou-se rapidamente, sem se preocupar com o atirador, quis apenas vingar-se de Murilo e apontou o seu revolver .32 para o peito do comandante e atirou. Murilo então deu um salto, sendo atingido em sua perna esquerda, um pouco acima do joelho. Após o disparo, iniciou-se um tiroteio e o policial que estava dentro do Bandeirante surgiu à entrada da aeronave, atirando com a .765, conseguindo acertar três tiros no sequestrador, nenhum deles mortal.

    Raimundo, ainda disparou mais cinco tiros na direção do Comandante; mas não voltou a atingi-lo. Murilo correu em zigue-zague em direção ao VASP 375, sem notar que ferido pelo disparo e sem sentir nenhuma dor. Subiu as escadas do 737 e, vendo que estava sozinho, fechou a porta. Os tripulantes haviam se refugiado em um matagal ao lado da pista.

    Ao retornar ao Boeing, o Comandante foi se dirigindo a cabine sob os olhares confusos dos passageiros, seguido de aplausos. No cockpit informou a torre Goiânia que estava a salvo e os tripulantes conseguiram fugir, sendo o sequestrador possivelmente atingido na pista. Neste momento, notou que foi atingido e informou que estava sangrando.

    Do lado de fora, Raimundo encontrava-se deitado de bruços no asfalto da pista. Um dos projéteis .765 perfurou seu intestino grosso e outros dois, haviam penetrado em seu abdome e se alojado nas nádegas. Depois de se certificar de que não havia mais nenhum perigo, Murilo voltou a abrir a porta traseira do Boeing e os comissários puderam retornar, ladeados de diversos agentes da Polícia Federal. Os passageiros estavam comemorando; se abraçando, e cumprimentando o piloto. Era o fim de um pesadelo onde desembarcariam sãos e salvos.

    O comandante Murilo foi levado para o Hospital Santa Genoveva, onde o comissário Ronaldo Dias e o tripulante Gilberto Renhe se recuperavam dos ferimentos; seguidos após de Raimundo que foi encaminhado ao mesmo hospital. Um boletim médico, divulgado às 20h30, revelou que Raimundo recebera três tiros no flanco direito, à altura dos rins. Seus sinais vitais eram normais. O dono do hospital que o assistia, disse que o paciente não corria risco de morte. Três horas mais tarde, os médicos permitiram que a imprensa registrasse as primeiras fotos de Raimundo Nonato, quando saia do centro cirúrgico. O sequestrador foi algemado ao leito da UTI e agentes da Polícia Federal se mantinham de segurança.

    Sequestrador Raimundo Nonato, sedado e algemado no hospital (Arquivo/ Agência O Globo)

     

    Na manhã seguinte, no Hotel onde os passageiros do VP-375 estavam; eles diziam aos repórteres e cinegrafistas de televisão, que deviam suas vidas à perícia e ao sangue frio do comandante da Aeronave. Naquela tarde; Raimundo Nonato acordou e quis saber onde estava. Admitiu que havia feito uma loucura e começou a chorar. Disse aos médicos e policiais que sequestrou o avião em protesto contra o presidente José Sarney, seu conterrâneo que não prendia os corruptos nem acabava com a inflação.

    No sábado, em uma entrevista ao telejornal da TV Globo, o dono do Hospital disse, entre outras coisas, que o estado de saúde do sequestrador continuava evoluindo bem e que logo ele poderia ser interrogado pela polícia; sendo desta forma, no domingo, um delegado e um escrivão da Polícia Federal puderam tomar o primeiro depoimento do Sequestrador, agora paciente.

    Foi a última coisa que se sabe que Raimundo Nonato fez. Raimundo morreu em seu leito de hospital, e como sua morte foi misteriosa e inesperada; os médicos do Santa Genoveva e os legistas de Goiânia, recusaram-se a fornecer um atestado de óbito. Foi preciso que a Polícia Federal convocasse, em Campinas, o legista da Unicamp; que para tranquilidade de todos; atestou que o sequestrador do Vasp 375, e assassino do copiloto daquele voo, foi levado a óbito devido a um quadro infeccioso por ser portador de anemia falciforme, uma doença congênita.

    Como o legista era um profissional conceituado; o assunto foi esquecido. Mesmo depois de alguns anos, o legista se envolveu em diversas autópsias controversas (inclusive a do empresário P. C. Farias), mas ninguém se lembrou ou questionou posteriormente colocar em dúvida a legitimidade do laudo cadavérico de Raimundo Nonato Alves da Conceição.

    Em nenhum momento, o Palácio do Planalto soube da intenção do sequestrador, de atentar contra o Palácio, tanto que, enquanto o VASP 375 sobrevoava os arredores de Brasília, o presidente José Sarney permaneceu em seu gabinete.

    Após algumas semanas do sequestro do Vasp 375, o HERÓI NACIONAL, Comandante Murilo, foi condecorado com a medalha da Ordem do Mérito Aeronáutico, inclusive a mãe do copiloto Salvador Evangelista, que recebeu a comenda em nome do filho assassinado e a Comissária Ângela Barroso, além de outras condecorações. Após alguns meses se recuperando, o Comandante Murilo voltou a voar, sendo seu retorno no mesmo voo 375. Em 1990, a VASP foi privatizada e o Comandante Murilo passou a pilotar as aeronaves DC-10. Em 1993, O herói do voo 375 foi mandado embora da VASP, pois a empresa trocara as aeronaves pelo MD-11, mandando embora os antigos pilotos; antecipando desta forma, o final da carreira de Murilo; que ficou na VASP por 25 anos; ficando ainda, seis meses sem receber nada, até que sua aposentadoria fosse regularizada, aposentadoria esta, a seu contragosto. Logo após, passou a dar aula para pilotos em uma Universidade em Curitiba; mudando-se para Búzios na sequência.

    Com certeza, o voo 375 marcou as vidas de seus passageiros e tripulantes. O certo, é que todos os presentes possuem grande respeito e admiração, além de terem suas vidas, graças a ele, o Comandante Murilo. Em relação ao sequestrador Raimundo Nonato, as opiniões dos passageiros divergem entre que não merecia outra coisa senão morrer e outros que era uma pessoa com sérios distúrbios mentais.

    O feito do comandante Fernando Murilo não é muito conhecido da sociedade, mas, costuma ser lembrado com admiração por pilotos de todo o Brasil. Na época do sequestro, técnicos da Boeing examinaram os registros do FDR (gravador dos parâmetros de voo) do PP-SNT e se surpreenderam com as manobras executadas pelo comandante do VASP 375. Teoricamente, a aeronave não poderia tê-las suportado. A façanha do comandante Murilo, no entanto, não é reconhecida pela Boeing, mesmo com testemunhas de fora do avião e passageiros; a empresa nunca homologou o feito.

    Em 2001, 13 anos após o ocorrido e 1 mês e 12 dias após os atentados nos Estados Unidos, o piloto Fernando Murilo de Lima e Silva, com 53 anos, foi homenageado pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas, recebendo o troféu Destaque Aeronauta por sua contribuição em evitar uma tragédia maior naquele dia; além de receber a medalha do Mérito Santos=Dumont, dentre outras medalhas e homenagens durante o tempo. Participou de entrevistas para a TV devido aos atentados nos EUA.

    Segundo o comandante Murilo, Sarney nunca lhe demonstrou qualquer reconhecimento. “O ex-presidente Sarney, sem comentários, nunca me dirigiu a palavra”, afirmou o piloto em uma entrevista.

    Comandante Murilo, 25 anos após o sequestro (Reprodução RECORD TV)

     

    Em 26 de agosto de 2020, o piloto de avião, Fernando Murilo de Lima e Silva faleceu aos 76 anos na cidade de Armação dos Búzios/ RJ, onde morava. O comandante deixou esposa e dois filhos.

    Infelizmente esta história não é conhecida ou relembrada pela maioria dos brasileiros, além da infelicidade do Comandante Murilo não ter recebido as homenagens e reconhecimento devidos a um herói nacional, devido as suas realizações naquela quinta-feira de primavera de 1988, salvando inúmeras vidas. Se tal evento ocorresse em outro país; talvez haveria filmes com tal narrativa em um curto espaço de tempo e por incrível que possa aparecer; os procedimentos de segurança permaneceram os mesmos; não havendo nenhuma mudança após vários anos depois do sequestro. Será que não houve interesse por ter sido “apenas” 1 vida perdida? Mas era uma vida; era o amor de alguém.

    O sequestro do VASP 375 foi um ocorrido sério, relevante e sem precedências no Brasil. O fato de ter o intuito de jogar a aeronave em um prédio público pode ter servido, quem sabe, de inspiração aos atentados ocorridos naquele mesmo mês, 13 anos depois, com “correções” de execução. E se após tal evento; medidas mais rígidas de segurança nos aeroportos e aeronaves fossem tomadas, talvez alguns atentados e sequestrados pelo mundo não teriam ocorrido. Na verdade não medidas mais rígidas, e sim, alguma medida, pois não foram tomadas nenhuma providência posteriormente. Quem sabe, se este sequestro fosse levado a sério desde sempre; talvez, muita coisa poderia ter sido evitada.

    Quando analisamos tal sequestro pelo olhar da Segurança e Defesa Nacional; observamos, dentro da cronologia dos fatos, que a aviação comercial não possuía uma mentalidade de segurança das operações efetiva, dando margem para embarque nas aeronaves de diversos ilícitos, inclusive, armamento; bem como porta-los nas dependências dos aeroportos, como foi elucidado. Não havia uma identificação efetiva dos passageiros, bem como, a marcação de lugares nas aeronaves. Era “cultura” deixar as pessoas visitares as cabines de comando das aeronaves, mesmo em voo. As portas do cockpit não eram blindadas. O controle aéreo não sabia lidar com sequestro em voo, tendo em vista a confirmação errônea via rádio. A aeronave sobrevoou vários quilômetros sem a escolta de caças da FAB; as equipes em terra não eram treinadas de forma apta efetiva para realizar um assalto em tal aeronaves, realizando treinamento antes da aeronave pousar; militares realizando movimentações sem muito nexo, próximo a aeronave. Negociador não apto para aquela função. Falta de um plano de contingência para tal situação.

    Mas, o que mais chama a atenção deste autor, entre muitos fatos; destaca-se dois pontos: O primeiro foi a falta de senso de gerenciamento de crise por meio das autoridades diante a Capital Federal. O espaço aéreo de Brasília não foi completamente fechado. Não havia medidas de contingenciamento em caso de ataque, atentado, desastre. Independente que as autoridades não soubessem a intenção do sequestrador, que era jogar o avião no Palácio do Planalto; momento algum; o Presidente da República, ministros e outras autoridades foram evacuadas por segurança. Os prédios do governo não foram evacuados e nem as ruas do eixo monumental fechadas. Só pelo fato de uma aeronave comercial sequestrada indo em direção a Capital da Nação; já era motivo de crise e alerta.

    Se não fosse o fato do Comandante do VP 375 conseguir manter-se fora “da vista” de Brasília, apresentar perícia na aeronave e “sangue frio” para manter-se calmo e atento durante toda a crise; o sequestrador não possuir conhecimento algum sobre operações aéreas, rotas, aeronaves e ainda ter atuado sozinho; seria muito provável que o Sequestro do VASP 375 fosse conhecido como o maior ataque terrorista no Brasil e um dos maiores desastres de nossa história.

    O segundo ponto é que após o desfecho do Sequestro, não foi tomada NENHUMA ação para que outro evento similar ou pior que este ocorresse. De algum modo, parece que não foi levado a sério o ocorrido. As operações nos aeroportos e aeronaves continuou a mesma por vários anos. Se tal acontecimento fosse levado a sério tanto pelas autoridades brasileira, quanto estrangeiras e tivessem sido tomadas medidas de mitigações à época, talvez muita coisa poderia ter sido evitada.

    E você acha que mudou muita coisa na segurança aeroportuária até os atentados de 11 de setembro de 2001? Já adianto que em agosto de 2000, isto mesmo, 1 ano antes dos atentados; o Voo VASP 280 que decolou de Foz do Iguaçu/PR, com 67 pessoas a bordo, foi sequestrado em voo por 5 assaltantes armados, com objetivo de roubar R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais) que se encontrava a bordo; sendo esta ação muito bem estudada e planejada. Tal ocorrido irei abordar no próximo texto (dezembro/2021).

    Atualmente a segurança das operações aéreas estão em constantes modernizações e atitudes rígidas, para evitar um mal maior, pois, infelizmente, sabemos os efeitos e reflexos de qualquer atentado e atitudes ilícitas. Os países estão cada vez mais preocupados com sua segurança interna. Muita coisa mudou desde 1988 e ainda há de mudar, principalmente o cultura da valorização da Segurança e Defesa, não só pelas autoridades, mas também, pela sociedade comum.

    Não deixe as histórias se perderem. Valorize nossos inúmeros heróis nacionais, muitas vezes caídos no esquecimento ou no anonimato. Você provavelmente conhece o fato que se passou em 2009 nos Estados Unidos, do pousou de um avião comercial nas águas do rio Hudson, pilotado pelo Capitão Sully, não é mesmo? Ele recebeu várias honrarias e tal feito é lembrado até aqui no Brasil; mas por que o Comandante Murilo, que salvou 103 pessoas a bordo e incontáveis em solo, caso se concretizasse o atentado; não é lembrado por nós?

    O Sequestro do VASP 375; nosso setembro anterior…

     

     

     

    Referências:

    A história do Boeing que seria jogado no Palácio do Planalto: https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2018/09/28/interna_politica,992438/o-dia-em-que-um-aviao-seria-jogado-sobre-o-palacio-do-planalto.shtml

     

    ASP 375, com o comandante Murilo – Episódio 24 – Canal ASA: https://www.youtube.com/watch?v=l3AKQfD1rwk

     

    Base de dados da aviação: https://aviation-safety.net/database/record.php?id=19880929-0

     

    Por que o Brasil precisa conhecer o sequestro do voo 375: https://www.exibidor.com.br/artigo/192-por-que-o-brasil-precisa-conhecer-o-sequestro-do-voo-375

     

    Em 1988 Boeing foi perseguido por Mirage: http://www.aereo.jor.br/2009/03/12/em-1988-737-foi-perseguido-por-mirage-iii/

     

    Entrevista do Comandante Murilo: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/piloto-que-evitou-atentado-a-sarney-nunca-me-dirigiu-a-palavra,786ecc00a90ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

     

    Há 30 anos, sequestrador queria jogar Boeing da Vasp no Palácio do Planalto: https://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2018/09/29/sequestro-voo-vasp-palacio-do-planalto-jose-sarney/

    https://acervo.folha.com.br/leitor.do?numero=10372&anchor=4164219&origem=busca&originURL=&pd=ac648c14db5afb0c714d276c677a2d2d

    Jogando um avião no Palácio do Planalto – Canal Meteoro Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=deYU9bpF-FU

     

    Jornal Folha de São Paulo de 30/09/1988 – Capa: https://acervo.folha.com.br/leitor.do?numero=10372&anchor=4164180&origem=busca&originURL=

     

    Jornal Folha de São Paulo de 30/09/1988:

    ‘Meu pai foi um herói’, diz filha de piloto morto em sequestro de avião: http://g1.globo.com/11-de-setembro/noticia/2011/09/meu-pai-foi-um-heroi-diz-filha-de-piloto-morto-em-sequestro-de-aviao.html

     

    Morre comandante do avião da Vasp sequestrado em 1988: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2020/08/27/morre-comandante-do-aviao-da-vasp-que-foi-sequestrado-em-1988-e-pousado-em-goiania.ghtml

     

    Morre Fernando Murilo, comandante herói que evitou a tragédia do voo VASP 375: https://www.airway.com.br/morre-fernando-murilo-comandante-heroi-que-evitou-a-tragedia-do-voo-vasp-375/

     

    O Sequestro do Avião da VASP. Canal Aviões e Música, EP. 571: https://www.youtube.com/watch?v=QAOsxBlm5Ns

     

    Reportagem da TV Globo no dia do sequestro: https://www.youtube.com/watch?v=2DYKzdLP–M

     

    SANT’ANNA, Ivan. Caixa-Preta: o relato de três desastres aéreos brasileiros. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

     

    Sequestrador tentou jogar avião no Planalto em setembro de 1988: https://g1.globo.com/ultimas-noticias/video/sequestrador-tentou-jogar-aviao-no-planalto-em-setembro-de-1988-3662592.ghtml

     

    STOCHERO, Tahiane. Sequestrador tentou jogar avião no Planalto 13 anos antes do 11/9.

     

    **Dados da cronologia dos fatos foram retirados do Livro: Caixa-preta [recurso eletrônico]: o relato de três desastres aéreos brasileiros / Ivan Sant’Anna. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

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