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A mala esquecida

A crônica de Debora Ireno Dias

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O final de semana prometia algumas novidades. Saiu de sua cidade já à noite, van alugada, junto com os amigos de Caminhada, rumo a Barbacena para viver uma experiência de fé, de vida, de novas amizades. Chegou numa noite fria, foi acolhido com café e chá e bolo feitos por mãos maternas. Adormeceu já na expectativa do que seria aquele final de semana.

Foi acordado por um nascer do sol indescritível. Todos apontavam celulares para registrar o astro rei nascendo, mas quem entrava na sala onde se reuniam dezenas de jovens, era o próprio Rei. Passou-se a manhã, a tarde, veio a noite. Um dia intenso de emoções regadas a lágrimas e risadas, trabalho, serviço ao Outro, correria pelos corredores daquele colégio. Eram horas para se decidir sobre isso ou aquilo, para se decidir sobre si mesmo e para o Outro, horas também para se deixar levar pelo silêncio e deixá-Lo preencher o vazio que havia onde antes estavam as angústias e incertezas.

Passou-se a noite, fria no tempo, aquecida no coração. Chegou a manhã sem o astro rei aparecer, mas o Rei novamente veio e mostrou que algo iria acontecer. Recebeu-O com o coração. Ao longo da manhã, percebeu que algo não estava mais dentro de si, que algo se desprendia de seu ser como uma bagagem que não se carrega mais, como uma roupa que não se veste mais. Percebeu que o coração batia acelerado, numa velocidade que não estava acostumado, mas que o sorriso tomava conta do semblante, junto às lágrimas que banhavam suas mãos. Era um presente que ganhava, era uma rosa que exalava o perfume mais puro, era um abraço que esperava. Eram as palavras guardadas há tanto que agora conseguiam ser expressas. E assim viveu aquele dia, numa alegria contagiante que se deseja levar ao longo do Caminho.

Passou o dia, veio a noite, abraços e despedidas. Foi embora na certeza de que algo aconteceu em seu ser e que as bagagens antes pesadas não eram mais necessárias. Foi embora feliz. Leve. Ao organizar a casa, alguém viu uma mala esquecida num canto. Não seria mais necessária usá-la, pois agora a vida começaria de novo, com novas bagagens a serem preenchidas com o Amor experimentado no final de semana, com calma na alma e um sorriso no rosto. Caminho novo que se faz caminhando, mais leve, mais feliz.

#ejcporamor

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