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A importância do investimento em EDUCAÇÃO: inclusive, FINANCEIRA!

A opinião do administrador Pedro Tostes

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A bola da vez nos cenários político, econômico e social é a EDUCAÇÃO! O governo argumenta a necessidade de contingenciamento das despesas (justificando que as receitas nacionais estão deficitárias em relação ao previsto pelo seu orçamento). Mas quer seja você de direita, de esquerda, centro ou até mesmo apartidário, o sistema educacional brasileiro está abraçando sua vida de variadas formas, em muitas ocasiões, infelizmente, elas nem são reconhecidas …

Para chegar ao ponto-chave deste texto, não irei me alongar na análise de cenários “paralelos”, mas quero provocar uma reflexão: você sabe de onde foram retirados os 30% das verbas discricionárias (as ditas “não obrigatórias”)? De um montante que representa 1,7 bilhão de reais, utilizado para pagar bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa, compras de equipamentos básicos para laboratórios e etc.

Você consegue perceber que está sendo afetado através da redução de uma das nossas maiores fontes de esperança para construir uma grande nação?!

Trabalhos de pesquisa (inclusive este que escrevo e publico aqui a cada 15 dias com a maior dedicação possível), criação de novas tecnologias, estudos que geram conhecimento sobre a própria sociedade (identificando as melhores práticas de combate à pobreza, ao analfabetismo, à concentração de renda, à falta de saneamento básico …), produção de vacinas, tratamentos e cirurgias em hospitais universitários, inserção de alunos no ambiente acadêmico (que possibilita também, a formação de novos professores e pesquisadores, fatores que tanto nosso país é carente para a consolidação de um ensino de qualidade!), dentre tantos outros pontos que poderiam ser citados … formam a NE-CES-SI-DA-DE de um olhar mais atento e consciente sobre as atitudes que são tomadas em prol ou em desfavor da EDUCAÇÃO: pois neste exato momento, existem pessoas que estão se desdobrando, virando dias e noites com o enorme afinco em devolver reais benefícios à sociedade através de seus estudos, em troca, muitas vezes, de bolsas de pesquisa que mal conseguem pagar os custos de vida que têm (isso quando não doam seus esforços sem nenhum real em troca!) por tanto trabalho e senso de coletivismo!

Se você é apoiador do atual governo, é porque deposita crença que tais medidas de contingenciamento, em breve (assim espero!) sejam abandonadas e vultuosos investimentos sejam realocados em ensino de qualidade; em hipótese contrária, aconselho: da mesma forma que o grupo anterior, fiscalize cada ação governamental e batalhe como propósito de que, a partir da sua comunidade e/ou município, seus governantes tenham olhar mais atento às questões educacionais – tenho fé que, pequenas atitudes de crítica e apoio local surtirão mais efeitos positivos ao longo de todo território nacional, dando a quem nos governa, dimensão exata do que um país dignamente instruído pode oferecer em desenvolvimento e humanismo!

Acabei de falar sobre pequenas atitudes que podem trazer benefícios à sociedade … pois então, direto ao ponto, enalteço a importância, enquanto cidadão, de possuir conhecimento em EDUCAÇÃO FINANCEIRA! Uma pergunta: em algum momento da sua formação você recebeu ensinamentos de como aplicar melhor os seus rendimentos e ainda, de forma tão ou mais importante, você adquiriu aprendizados sobre como consumir melhor?! Posso induzir que muitos leitores responderam mentalmente a essa pergunta com um curto e triste “não”. E esse “não”, de forma bastante simples, representa ciclos intermináveis de dívidas, incapacidade de melhorar os estudos, realizar sonhos e … transformando os meses em eternos sufocos para vencê-los.

Pois bem, ampliando um pouco mais a linha de pensamento: a você que tem filho(s), que tal propor à(s) escola(s) que ele(s) estuda(m) a inserção na grade curricular da disciplina de “Educação Financeira”, assim como estuda(m) as matérias de matemática, português, história, sociologia, ciências, biologia, etc …?! ALGUMAS POUCAS escolas particulares e públicas possuem este conteúdo já vinculado às suas grades curriculares. Muito antes das ações governamentais atingir as futuras gerações, pais e mães sábios devem se atentar na preparação de seu(s) filho(s) para lidar(em) com as dificuldades socioeconômicas que o país tiver de enfrentar de uma maneira mais consciente! É desde os primeiros momentos da nossa formação que o dinheiro começa a permear o cotidiano, encarar a realidade brasileira com o auxílio pedagógico adequado transformaria positivamente o futuro de muitos jovens, dando-lhes a capacidade de fazerem as melhores escolhas para a concretização de inúmeros sonhos em parceria integrada e responsável com suas respectivas famílias!

Àqueles que já estão mais maduros, não precisam se desesperar, pois há tempo, há muuuuito tempo para vocês tornarem o “daqui pra frente” próspero! Como? Investindo, sobretudo, dedicação, tempo e paciência para buscarem materiais excelentes (através de vídeos no YouTube e blogs de educação financeira) – aprendi muita coisa dessa forma e o melhor, de forma GRATUITA! Isso mesmo, não há desculpa, a não ser que você não queira se livrar da preguiça e consequentemente … ficar escravo(a) de seu salário e das contas a pagar para o resto da vida!

Em pesquisa realizada pela Standard & Poor’s (uma das principais agências de classificação de risco dos países) envolvendo 150 mil pessoas e abrangendo 140 países que teve como objetivo avaliar o grau de conhecimento em educação financeira dos adultos, foi detectado que, no mundo, em média, 2 em cada 3 adultos são analfabetos financeiros e o Brasil acompanha esta média, com apenas 35% de sua população adulta tendo conhecimento, figurando o nosso país na 74ª posição, atrás de países bem menos desenvolvidos como Benin, Senegal e Quênia. O gráfico abaixo faz uma comparação mostrando a porcentagem de adultos financeiramente alfabetizados nos países que compõem o “BRICS” (composto de cinco países emergentes – à direita do gráfico) com as principais economias mundiais – à esquerda do gráfico), ou seja, “diferenças brutais podem ser detectadas”!

Fonte: Standard & Poor’s

 

Sabe onde a falta de Educação Financeira também reflete diretamente??? Num outro dado alarmante: nosso país não pode atingir número tão expressivo de inadimplentes, que segundo a Serasa Experian, (pasmem!), apontou 63 milhões de brasileiros inadimplentes ou em termos percentuais, significa que 40,3% da população brasileira encontra-se com dívidas atrasadas ou estão negativados!

Segundo o economista Luiz Rabi:

“ (…) o aumento do desemprego e o repique da inflação nos primeiros meses do ano resultaram em perdas da renda do consumidor, que impacta diretamente na inadimplência. Também a concentração de compromissos financeiros típicos de início de ano (IPTU, IPVA, material escolar etc.) pressionaram o orçamento da população. O recorde de pessoas com dívidas atrasadas em março mostra um patamar elevado e traz prejuízos ao crescimento da economia. ”

Surge a partir da leitura das falas do especialista pelo menos duas conclusões:

  • A necessidade de ações governamentais que possam incrementar a economia como um todo, principalmente no que tange ao aumento dos postos de trabalho, combate à inflação que corrói os salários e redução das altas taxas de impostos cobradas (cerca do equivalente a 150 dias de trabalho são utilizados para pagar os impostos anuais!);
  • E a indispensável elaboração de um orçamento doméstico mais equilibrado, criando de poupanças de curto, médio e longo prazos (que não é a velha caderneta de poupança conforme já salientei em vários outros textos) e a adaptação de um consumo mais bem pensado de acordo com os rendimentos obtidos.

Quer um outro dado importante a respeito dessa mesma pesquisa feita sobre inadimplência?! E esse vai ser muito interessante …

“ (…) Por faixa etária, a inadimplência é maior nas pessoas de 36 a 40 anos (48,5% delas estão inadimplentes), mas os idosos (consumidores com mais de 61 anos) apresentaram a maior alta (1,9%) em março de 2019, na comparação com o mesmo mês do ano anterior: 35,4% deles estavam inadimplentes. ”

A razão disso: àqueles que leram a minha publicação “Aposentadoria: um novo jeito de ser pensada!” (link de acesso: https://barbacenaonline.com.br/a-aposentadoria-um-novo-jeito-de-ser-pensada/ ) sabem que os custos de vida à medida que o tempo passa se tornam maiores com a idade e aí … pagar as dívidas vira uma missão muito mais difícil e para isso não acontecer devemos tomar medidas práticas acerca de melhorias na capacidade de poupança e investimentos desde o início das carreiras de trabalho!

Outros dados importantes podem ser observados a partir da tabela abaixo, mas destaco o primeiro deles, que representa a maior parcela dos motivos da inadimplência do brasileiro, que são os já afamados “bancos e cartões”.

 

SEGMENTOS% INADIMPLÊNCIA “MAR/2019”
Bancos e cartões28,1
Utilities (água, luz, gás …)19,8
Telefonia13,2
Varejo11,6
Serviços10,4
Financeira10,0
Outros6,9


Fonte: Serasa Experian

Mas por que eles são os grandes vilões do orçamento do brasileiro??? Ora, ora … vamos a alguns dados para tentar explicar!

Segundo o Banco Central, na comparação entre fevereiro e março/2019, os juros do cheque especial saltaram de “singelos” 317,9% para 322,7% ao ano e do cartão de crédito de “modestos” 295,5% para 299,5% ao ano!!! Para demonstrar mais claramente o que isso representa, vamos a um exemplo: supondo que você tivesse utilizado o crédito rotativo do cartão de crédito, restando uma dívida a ser paga no início do ano de R$ 1.000,00. Ao final desse mesmo ano, seguindo os patamares de juros mencionados anteriormente, sua dívida total já estaria beirando a casa dos R$ 4.000,00 !! WOW !!!! É fácil perceber que, dependendo do valor da dívida, ela se tornará impagável !!! Aí pode vir aquele pensamento para alguns que já se encontram nessa situação: “se eu soubesse disso antes, teria recorrido a outros meios menos devastadores ao meu orçamento …”

FAÇO UM ALERTA: antes mesmo da situação se tornar desesperadora e atitudes como estas de recorrer a crédito rotativo e/ou ao cheque especial forem utilizadas, ARREGACE AS MANGAS, CONSULTE, PESQUISE E NEGOCIE outras formas de quitar as suas dívidas com o banco, mostre a(o) gerente da sua conta que você está compromissado(a) em limpar o seu nome, afinal, ele quer receber o dinheiro de volta e essa postura abre espaço para outras alternativas, bem menos danosas, podendo salvar a sua PAZ!

 

Fonte: Hospital das Finanças

 

Enfim, meus atentos leitores, dediquei cada palavra deste texto para apresentar quão importante o tema EDUCAÇÃO e um pouco mais especificamente voltada para o viés FINANCEIRO é de suma importância para você, sua família e para a sociedade como um todo. Desequilíbrio financeiro afeta o seu consumo e a economia de maneira geral, porque somos um somatório de forças que se interagem diariamente regulando preços e rendimentos das operações feitas (“lei da oferta e da procura)”.

Caso suas escolhas sejam inteligentemente pensadas a partir de uma vida economicamente ajustada, os benefícios começam a surgir imediatamente, em escalas cada vez mais crescentes. De forma alguma isento a responsabilidade governamental em adotar atitudes positivas e instrutivas para a sociedade – assim como destaquei, a sugestão de incentivar e cobrar a inclusão e investimento em Educação Financeira nas escolas é UMA DAS boas atitudes de um cidadão conhecedor da realidade, no entanto, outras tantas podem ser adotadas de acordo com suas possibilidades, incentivando o questionamento, a argumentação e aumentando a fiscalização sobre aqueles que são os responsáveis por gerir a máquina pública de maneira eficiente, integradora, diminuindo os abismos sociais e econômicos, de forma especial, desenvolvendo o conhecimento e a instrução de seu povo!

Forte abraço e estarei sempre disposto ao esclarecimento de dúvidas e ao debate: fundamental para enriquecer a construção deste trabalho! Até a próxima!

NOTA DA REDAÇÃO – Pedro Tostes Ribeiro é servidor público municipal de Barbacena; formado em Administração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – campus Barbacena; e pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de São João del-Rei.  Contato: pedro@tostes.org

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