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A importância da imagem do “Buraco Negro” da M87

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Por Sabrina Medeiros, membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Sudeste e graduanda em Ciências Biológicas, sob orientação do professor Delton Mendes

Um “buraco negro” é descrito, pela literatura científica, como uma enorme região no espaço que possui uma grande força gravitacional, nada consegue escapar dali, ou seja, é capaz de sugar tudo o que está à sua volta, inclusive a luz. Seu surgimento se dá, segundo modelos atuais, após a “morte” de estrelas massivas (imensamente maiores que o Sol), com compactação de sua massa, o que cria um enorme campo gravitacional. Importante frisar que tudo o descrito é bem mais complexo, somente sistematizamos para facilitar a compreensão.

Na verdade, não se trata necessariamente de um “buraco”, ao que tudo indica. Essas regiões supermassivas estão em praticamente todas as galáxias, com intensa atividade gravitacional. A gravidade deles funciona exatamente como a gravidade de qualquer outro corpo (por exemplo o Sol), ou seja, um objeto longe o suficiente pode continuar orbitando um buraco negro sem nenhum problema. Até recentemente ninguém havia conseguido identificar como é realmente um buraco negro, contando somente com teorias, modelos e imagens projetadas por computadores a partir de cálculos realizados, até 10 de abril de 2019, data em que foi mostrada, em uma conferência em Bruxelas, a primeira foto tirada de um evento cósmico desse tipo.

No fundo, a imagem não é de um buraco negro, mas sim dos processos ao seu redor que emitem uma freqüência específica de luz, que acaba chegando até os aparelhos em Terra. Também não se trata de apenas uma fotografia, mas de milhares de dados obtidos a partir de um trabalho magnífico de vários telescópios espalhados pelo mundo.  Tudo isso corrobora com o que o físico teórico alemão Albert Einstein afirma em sua Teoria da Relatividade que revela, dentre várias coisas, que o tempo pode variar de acordo com a velocidade, a gravidade e o espaço, ou seja, existem lugares no universo que distorcem o tempo e o espaço.

O buraco negro visto na imagem está em uma distância de 55 milhões de anos-luz, levando-nos a imaginar como será seu formato atual. Tudo isso porque ele está localizado no chamado Coração de Messier 87, galáxia dentro do aglomerado Virgo A (segunda galáxia mais brilhante na região norte do Aglomerado de Virgem) a uma distância aproximada de de 53 milhões de anos-luz da Terra. Organizar essa imagem não foi tarefa fácil, principalmente porque a resolução necessária para conseguir tirar tal foto é a mesma que precisamos para tirar uma fotografia da Terra até uma laranja na superfície da Lua. Para colocar isso em perspectiva o telescópio precisaria ter o tamanho de nosso planeta e isso não é nem um pouco viável. Então, ao invés de construírem esse telescópio gigantesco, pesquisadores utilizaram dados coletados por vários telescópios ao redor do Globo. A soma de todos eles funciona como se fosse um único com o tamanho da Terra. Por esses motivos a foto demorou 5 dias para ser tirada e cerca de 2 anos para ser analisada.

Katie Bouman, professora assistente de ciência da computação no Instituto de Tecnologia da Califórnia, de 30 anos de idade, foi quem liderou a criação de um algoritmo que permitiu aos demais estudiosos organizarem a imagem do buraco negro pela primeira vez. Em entrevista, a cientista ressalta seu próximo objetivo (junto aos inúmeros pesquisadores de sua equipe): obter agora, ao invés de uma foto, um vídeo dessa fantástica descoberta. É um momento histórico para a ciência e tudo isso mostra o quanto o ser humano está avançado em termos de pesquisas, sendo um grande marco para nossa história e nossa evolução.

Apoio Divulgação científica: Samara Autopeças

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