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    Barbacena, MG Previsão completa
  • A dor do processo de divórcio

    É intrínseco na nossa cultura, advinda de muitas gerações atrás, que para termos uma vida plena precisamos nos casar, ter filhos e assim constituir a nossa própria família.

    Desde crianças, seja de forma consciente ou até inconsciente, somos moldados a seguir este padrão de vida, em busca de uma família e de um casamento perfeito.

    Mas mesmo com esta cultura voltada para a vida conjugal, não somos preparados para as dificuldades que envolvem viver um casamento. Pensa-se que apenas o amor será necessário, não sendo isso, contudo, uma verdade. As renúncias em prol do outro é matéria árdua, que precisa de tempo e paciência para se chegar à excelência nesta jornada.

    E então, em meio a este “despreparo” dos casais, muitas das vezes eles não conseguem manter aquela vida conjugal esperada, não conseguindo superar as diferenças, pelo que mais cedo ou mais tarde, em meio a uma crise, se deparam com o processo do Divórcio.

    Esta é uma decisão muito difícil e que causa imenso abalado psíquico nestes viventes. Sim, o processo de divórcio dói, e dói muito!!

    Atuo na área familista desde a minha formação, e vejo essa constatação com freqüência em meu escritório. E não me refiro somente a dor feminina, talvez mais acentuada tendo em vista a maior sensibilidade das mulheres. Mas também o sofrimento masculino, não sendo uma fase nada fácil na vida de qualquer um dos parceiros envolvidos.

    Ou Seja, somos preparados tão somente para se casar, para se relacionar; mas nunca para o ato de se separar, de talvez viver sozinho. E é por essa razão que o Divórcio causa tamanho abalo emocional na vida das pessoas, como se fosse uma frustração não só sob o olhar pessoal, mas também sob o olhar social.

    E creio que por ser o Divórcio um ato extremamente desgastante para os ex cônjuges, em especial pelas razões expostas acima, deve haver uma decisão consciente e madura neste processo, nunca agindo pelo calor da emoção ou por uma briga isolada. E após ser tomada esta importante decisão, indiscutivelmente que a procura de um profissional também deve ser cautelosamente pensada, devendo este ter um olhar não apenas técnico sobre o processo, mas também com total empatia a toda dor e fragilidade de seu cliente. Um tratamento humanizado, não só da sociedade, mas também do profissional envolvido é de suma importância para que não só as questões jurídicas sejam resolvidas, mas também para que as dores da alma desse casal sejam também superadas da melhor forma possível.  

    De fato que o número de Divórcios após a Pandemia aumentou consideravelmente, comprovados através de dados e estudos realizados. Porém, mesmo com este crescimento, as rupturas conjugais ainda serão um processo que provocará toda este angústia. Ao meu ver, podem passar anos e anos, com a continuidade no aumento do número de separações, que para um casal, que acreditou e jurou amor eterno, este processo nunca será indolor. 

    NOTA DA REDAÇÃO – Cyntia Pedrosa é advogada familiarista, sócia do Escritório CPAM Advogados Associados – @cyntiapg