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A aposentadoria, um novo jeito de ser pensada!

A opinião de Pedro Tostes

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Opções políticas à parte, a reforma da previdência tem causado perturbação e incredulidade na cabeça de muitas pessoas, tanto pela elevação dos parâmetros de tempo de serviço e de idade ou simplesmente pela desconfiança num sistema previdenciário que há anos aponta para a ineficiência, que se apresenta na forma de “repartição”, no caso, mal planejada.

Explicando este último termo, pode-se dizer em poucas palavras que se trata de um pacto firmado entre as gerações, sendo a parcela ativa da população (atuais trabalhadores) financiadores dos inativos (aposentados), cabendo à próxima geração, descendente da atual, financiar os benefícios de aposentadoria desta última. Eis aqui um grande problema: segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE, a projeção da população com mais de 65 anos de idade hoje se encontra em 9,2% e poderá saltar para 25,5%, até 2060!  De modo comparativo, a população deverá crescer em números totais até 2047, e a partir disso, irá encolher, na mesma projeção feita até 2060.

Essas duas características se devem ao fato do aumento da qualidade e conseqüente expectativa de vida dos brasileiros. Há que se considerar também que atualmente é feita a opção pela construção de famílias com menores quantidades de filhos (às vezes, até sem filhos). Aqui, já podemos confrontar o modelo de repartição do atual regime geral de previdência que nosso país adota, pois a pergunta que podemos fazer automaticamente é: “se a população tende ao envelhecimento e a natalidade a diminuir, a conta não vai fechar… mas e aí, quem vai bancar a minha aposentadoria?”

Mesmo que a reforma da previdência comece a sinalizar mudanças no sentido de diminuir o impacto dos déficits gigantes no orçamento público federal anualmente e tente propor regime de capitalização para os novos contribuintes, ela não confere total segurança no que se refere ao custeio das obrigações com seus participantes (não à toa, cresce o número de idosos que recorrem aos créditos consignados, pessoais, cheque especial e até a outras modalidades com juros ainda mais exorbitantes para conseguirem viver dia após dia com a corda no pescoço). Em outras palavras, sabemos que a maior crítica que os aposentados fazem à Previdência é a de que seus valores recebidos mensalmente não pagam o custo de vida que hoje possuem, e vários são os fatores, podemos citar alguns deles:

  • perdas de benefícios enquanto ainda estavam na ativa;
  • ao fator previdenciário1 (que “induz” o contribuinte a não se aposentar tão precocemente pra não sofrer com reduções dos seus salários);
  • perda do poder de compra que a inflação causa nas suas vidas;
  • aumento de gastos com saúde em decorrência da velhice (remédios, consultas médicas, planos de saúde, cuidadores, terapias, etc.)

Se o seu salário hoje já está limitando você, imagina quando estiver velhinho?! Mas então, o que fazer? Sentar e chorar, definitivamente, não é uma opção. Antes de continuar a falar sobre o assunto, outro questionamento importantíssimo deve ser repensado: Hoje, meu atual salário, comporta adequadamente o meu estilo de vida? Ou eu me tornei um mero “pagador de boletos e faturas, sem sobras para quaisquer outros planos”?

Se você percebe que seu orçamento doméstico já se tornou um grande quebra-cabeça e não há mais espaço para arcar com nenhum outro compromisso em sua vida, tenho uma triste, mas fundamental notícia: não há outra saída, você terá que cortar despesas desde já e adotar hábitos de vida que estejam adequados a sua renda. “Ah, mas não há como eu cortar mais nada, estou no limite!” – então, se assim for, vale até se sacrificar um pouco mais durante algum período determinado, realizando atividades para além das já desempenhadas e que possam conferir remunerações extras e definitivamente, reconsiderar a sua idéia de aposentadoria, construída deste ponto em diante, com base em escolhas inteligentes e, principalmente, adotando responsabilidade em primeiro se pagar, ou seja, fazendo reservas e aplicações financeiras corretas de parte da sua renda, garantindo que sua aposentadoria, de fato, seja possível.

De forma inicial, essa idéia pode assustar um pouco ou até mesmo ser considerada “terrorismo”, pois a perspectiva de aposentadoria implantada em nossa sociedade é equivocada, adotada há vários anos e sendo proclamada como a maneira correta e que funcionaria como um pote de ouro ao final do arco-íris, quando enfim, poderíamos exclamar: “estou aposentado e agora posso fazer o que quiser com o meu dinheiro”. Como relatei acima, as projeções não são nada otimistas e, depender do governo para que estejamos amparados é sem dúvida, a jogada mais arriscada, podendo se tornar até cruel na parte final de nossas vidas, justamente aquela que tanto ansiávamos em desfrutar da liberdade de escolhas.

Se tiver a oportunidade, questione às pessoas aposentadas do seu convívio como é a atual condição de vida financeira delas e, mais do que isso, pergunte a elas quais seriam as principais ações que gostariam de ter adotado quando do tempo que elas ainda estavam trabalhando para se sentirem mais realizadas profissionalmente e economicamente. Quantas não irão afirmar que queriam ter aproveitado mais a vida, fazendo aquilo que realmente gostam, têm afinidade e, sem sombra de dúvidas, terem planejado melhor sua real independência financeira.

Caso as idéias que aqui foram lançadas estejam incomodando você, meus parabéns! Você acaba de começar a se conscientizar de que a tranqüilidade financeira e o aumento da qualidade de vida presente e futura dependem muito mais das suas escolhas e das oportunidades que você se prepara para ter acesso, do que pela nebulosa expectativa de melhora do cenário político-econômico nacional.

Fonte: Portal AMF Fernandes

Nas próximas semanas, pretendo estabelecer reflexões sobre este tema de grande relevância dentro do contexto da nossa sociedade, partindo dos pontos mais básicos, mas que muitas vezes nos assustamos em meio a tantos termos técnicos de economia e finanças, meu objetivo é tornar esta linguagem mais simples e objetiva.

Quero apresentar alternativas eficientes de você se relacionar com seu dinheiro, sobre a necessidade de recalcular seu orçamento doméstico, a importância do “minimalismo”, que em nada tem a ver com administrar pobreza, mas sim, a opção feita por aqueles que têm cuidado e valorizam seu salário e que zelam pelo seu patrimônio, patrimônio este que, inclusive, irá instigar você a estabelecer novos conceitos sobre aposentadoria: com a independência financeira conquistada, você poderá se aposentar das suas velhas obrigações, mas quem sabe, você também possa descobrir o prazer de trabalhar por sua vontade, naquilo que você tanto sonhou e no tempo que você desejar! Muitos “só” gostariam de ter essa oportunidade… que tal começar a construí-la agora?!

Reforço: estarei sempre à disposição para o esclarecimento de dúvidas, parte indissociável do aprendizado, principalmente, da construção do meu próprio conhecimento!

NOTA DA REDAÇÃO – Pedro Tostes Ribeiro é servidor público municipal de Barbacena; formado em Administração pelo Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais – campus Barbacena; e pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de São João del-Rei. Contato: [email protected]

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2 Comentários
  1. maria claudia pinto Diz

    Assunto muito pertinente dentro do atual cenário brasileiro.

  2. Matheus Diz

    Sou fã do Pedro, textos leves e fluem facilmente, são explicativos e simples de entender

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