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50 ou tons de cinza

Francisco Santana e sua crônica semanal

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Eu gosto muito de ouvir a música “Roda viva”, de autoria de Chico Buarque e interpretada por ele e MPB4. Na época da ditadura militar ela foi duramente criticada e considerada música de protesto ou subversiva para muitos. Há uma parte dela que identifica a correria do nosso dia a dia. “Mas eis que chega a roda-viva/E carrega o destino pra lá/Roda mundo, roda-gigante/Roda-moinho, roda pião/O tempo rodou num instante/Nas voltas do meu coração”. Os fatos acontecem tão rapidamente que não temos tempo para raciocinar, pensar e muito menos solucionar. O após tem a preferência e o anterior é esquecido. A mídia tem sede de informar e o povo, fome de saber e espalhar.

 

Meu pai me disse que a ignorância é a mãe de todos os vícios. Uma instituição milenar complementa esse raciocínio dizendo que o ignorante não pode medir-se com o sábio, cujos princípios são a tolerância, o amor fraternal e o respeito a si mesmo. Como os fatos se avolumam, esqueceram-se das normas de segurança, das reclamações dos visitantes, cobranças da mídia e o Museu Nacional do Rio de Janeiro foi atingido mortalmente pela tríade fogo, chama e calor, provocado pelo desleixo de muitos que não ouviram e se ouviram não confiaram nas reclamações do iminente perigo. Tragédia anunciada ocorrida no dia 02.09.18.  

O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi fundado pelo rei Dom João VI em 1818, e seu primeiro acervo surgiu a partir de doações da Família Imperial e de colecionadores particulares.

Depois do mal instalado muitas técnicas de segurança até então adormecidas foram revividas. Duas siglas ganharam destaques: EPI – equipamento de proteção individual e EPC – equipamento de proteção coletivo. Além delas, se falou muito em segurança, extintores de incêndio, primeiros socorros, brigada de incêndio, hidrantes, reflexões, ensinamentos e proteções eficazes para os espaços culturais. Nada disso aconteceria se esses espaços fossem administrados com inteligência e que os egos dos administradores e políticos não fossem prioridades. Outra tríade a ser analisada: sabedoria, vontade e inteligência ou, tirar lições do passado, viver bem o presente para que o futuro seja promissor. Que o incêndio no Museu Nacional sirva de alerta sobre o estado de conservação de outros importantes acervos espalhados pelo país.  “Mas eis que chega a roda-viva/E carrega o destino pra lá/Roda mundo, roda-gigante/Roda-moinho, roda pião/O tempo rodou num instante/Nas voltas do meu coração

 

A natureza precisa ser respeitada.  Contrariá-la é um perigo constante. Lições foram ensinadas e poucos as entenderam acreditando ser peças literárias e filosóficas. Os quatro elementos – água, terra, fogo e ar merecem respeito. Na ocasião tinha a terra, o fogo que se alastrou violentamente, o ar que varreu as chamas e faltou a água para apagar os fogos e focos de incêndios. A direção do Museu disse que no espaço não haviam detectores de fumaça, sprinkler (equipamento que lança água automaticamente em caso de fogo) e portas corta fogo.

O Brasil está se notabilizando pelas ruínas em grande escala.

 

“O Museu estava associado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. A esperança é que essa tragédia gere a devida atenção para que a mudança aconteça. Como já disseram: não foi só o Brasil que perdeu, foi o mundo. O Museu Nacional figurou como um dos maiores de história natural e antropologia das Américas. E hoje, jaz”. (Raízes Desenvolvimento Sustentável).  

 

O Museu era construído de sabedoria, força e beleza, pois sem elas nada é perfeito e durável.  O que restou dessa tragédia? Lamentações, lágrimas, muitas lágrimas que se fossem usadas para apagar o incêndio, essa tragédia teria sido evitada. Restaram tristezas, ruínas, madeiras em brasa, histórias destruídas e mais de 50 toneladas de cinzas de maneira irrecuperável.  

O motivo do incêndio é desconhecido e está sendo apurado pela Polícia Federal. A tragédia abalou a memória cultural nacional, que sofreu um abalo fortíssimo. Mais de 2 milhões de objetos foram perdidos no incêndio (documentos, múmias, fósseis, obras de arte, registros históricos dentre muitos outros). Foi apurado pelo Corpo de Bombeiros que o prédio se encontrava em situação junto ao órgão, pois o Museu Nacional não possuía certificado de aprovação da corporação.  

“O triste episódio tem suscitado diversos debates na sociedade acerca dos cuidados específicos que devem ser dedicados a museus e demais espaços culturais, muitas vezes deixados de lado, por não serem considerados prioridade pelo Governo. Com frequência vemos nos meios de comunicação notícias sobre espaços culturais inacabados, deixados à margem, e alguns em péssimo estado. Onde está a preocupação e o zelo com tão importantes locais? Que o episódio do Museu Nacional sirva para conscientizar os novos governantes que políticas e programas culturais são, sim, tão importantes quanto os demais”.

(Fonte: Manual de Aprendiz Maçom/Internet? Site Raízes Desenvolvimento Sustentável/blog da redação).

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