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9 de janeiro de 2017 às 21h21 atualizada em9 de janeiro de 2017 às 21h32

Helena Ignez e Leandra Leal são as homenageadas da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Evento vai discutir a produção cinematográfica em períodos de crise política

Da Redação

No ano em que celebra seus 20 anos de realização, a Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece entre os dias 20 e 28 de janeiro, terá como temática central “Cinema em Reação, Cinema em Reinvenção”. A proposta, desenvolvida pelo curador Cleber Eduardo, é colocar em debate, através dos filmes selecionados e de mesas de discussão com especialistas e pesquisadores, um cinema que reage a seu espaço e a seu tempo histórico, na maior parte do tempo assumindo pontos de vista através das articulações de linguagem.

O evento homenageia este ano as atrizes Helena Ignez e Leandra Leal, duas mulheres do cinema brasileiro que se destacam em suas atuações múltiplas de atrizes, produtoras e diretoras nos últimos anos. As homenagens serão prestadas na abertura da Mostra, no dia 20 de janeiro (sexta), no Cine Tenda, com a entrega do Troféu Barroco, oficial do evento. Na sequência, será exibido o documentário Divinas Divas, estreia de Leandra Leal na direção. O tributo se estende no fim de semana, com a exibição dos filmes da Mostra Homenagem: Nome Próprio (2007), de Murillo Salles, com Leandra; A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, com Helena; e o curta A Miss e o Dinossauro (2007), dirigido por Helena.  Também no fim de semana, ocorre o debate “O percurso de Helena Ignez e Leandra Leal”, que vai reunir as duas no centro de um bate-papo com a plateia.


TEMÁTICA – CINEMA EM REAÇÃO

A temática desta edição se pautou pela efervescência social e política ao longo de 2016 e as maneiras como o cinema e a arte se movem neste contexto. “A discussão a se propor é que a reação aos recentes acontecimentos políticos ou sociais, através do cinema, só terá força se o cinema for colocado como carro-chefe, e não como palanque, megafone, hashtag ou militância”, diz o curador. “Se a militância estiver à frente dos filmes, o efeito será limitado. Para um cinema verdadeiramente político, a estética deve estar ao lado ou à frente do político”, ressalta o curador Cleber Eduardo

Uma das questões a serem abordadas pela temática é: como pode o cinema confrontar as questões contemporâneas sem que os filmes se tornem reportagens em tela grande? “A Mostra Tiradentes destacou-se entre os festivais de cinema dos últimos 10 anos por assegurar um espaço para os espíritos e práticas independentes, ou dependentes acima de tudo da paixão em grupo pelo fazer cinematográfico, como reação alternativa aos modos formais e de produção considerados convencionais (editais, leis de incentivo, concursos de roteiro)”, analisa o curador. “Para um festival como este, defendemos acima de tudo a resistência à banalização de certos modos de abordagem ainda primários e precários, justamente com a proposição de filmes que procuram atravessar as pautas políticas imediatas com respostas formais de cinema”.

Toda programação é oferecida gratuitamente ao público.

 

SELEÇÃO DE CURTAS

Espaço de descobertas, experimentações e ousadias da produção audiovisual brasileira, a programação de curtas-metragens da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes exibirá 72 filmes originários de 11 estados brasileiros, divididos em 10 mostras temáticas. O evento acontece de 20 a 28 de janeiro, com exibições gratuitas nos três espaços a serem especialmente preparados: Cine- Praça (Largo das Fôrras), Cine-Tenda e Cine-Teatro (Centro Cultural Yves Alves). De um total de 770 títulos inscritos, os escolhidos vêm de Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul. As mostras temáticas são: Mostra Foco (11 curtas), Panorama (16), Homenagem (1), Praça (9), Cena Mineira (5), Cena Regional (9), Experimentos (4), Formação (8), Jovem (4) e Mostrinha (5).

Uma novidade em 2017 é a mostra Experimentos, que reúne filmes com novas proposições nas relações entre som e imagem casos de A propósito de Willer, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP); Confidente, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes (RJ); Gozo/Gozar, de Luiz Rosemberg Filho (RJ); e Sem Título # 3 : E para que Poetas em Tempo de Pobreza?, de Carlos Adriano (SP).

 

MOSTRA AURORA

Em 2017, completa-se uma década de realização da Mostra Aurora, um dos segmentos mais aguardados na programação das edições anuais da Mostra de Cinema de Tiradentes. Dedicada à exibição de longas-metragens inéditos de realizadores em início de carreira, a seção sempre primou pela invenção e experimentação de formas. Os títulos são avaliados pelo Júri da Crítica e concorrem ao Troféu Barroco e a prêmios de parceiros do evento.

Nesta edição comemorativa, os selecionados na Aurora vêm de três Estados do país: “Baronesa” (MG), de Juliana Antunes; “Corpo Delito” (CE), de Pedro Rocha; “Eu não Sou Daqui” (MG), de Luiz Felipe Fernandes e Alexandre Baxter; “Histórias que nosso Cinema (não) Contava” (SP), de Fernanda Pessoa; “Sem Raiz” (SP), de Renan Rovida; “Subybaya” (MG), de Leo Pyrata; e “Um Filme de Cinema” (SP), de Thiago B. Mendonça.

No Júri da Crítica deste ano, estão cinco profissionais do pensamento e da reflexão do audiovisual no país: Anita Leandro (RJ), documentarista, pesquisadora e professora; Heitor Augusto (SP), crítico, pesquisador e professor; Ivonete Pinto (RS), crítica, pesquisadora e professora; Luiz Joaquim, jornalista, crítico e curador; e Victor Guimarães, crítico e curador.

Com informações de Universo Produção