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11 de fevereiro de 2018 às 07h35

Quando Gerações se Encontram, Vira um Carnaval

A crônica de Leonardo Lisbôa

Leonardo Lisbôa

O   Carnaval   no  clube   era   movido   pela   bandinha  de   idosos   tocando   as   marchinhas   dos   antigos   carnavais   e   aquelas   que  eram   moda   à    época.   Eu   ia   à   matinê.    E   os   infantis   foliões    “pulavam”   fazendo   uma    roda   no   sentido   anti-horário.   Serpentinas   e   confetes  de   papel   manilha   sem  brilho   e   sem   graça   eram   lançados   junto  de  lança-perfumes   usados  por   alguns   adultos  que  ultrajavam   a   proibição   feita   após   o  Governo   Jânio   Quadros.

 

E   eu   sempre   um   questionador   perguntava   o   motivo    daquele   sentido   de   brincar.  Às   vezes   me   atrevia   a   fazer   o   contrário,   o   horário...   a   força   daqueles    alucinados   foliões   me   levava    e   eu   tentava   resistir   trombando   com   a   multidão   de   crianças.

 

A   sequência  das  músicas  marchantes   era   quase   a   mesma...   E vinha   lá   Ô  Abre   Alas,   Garota   Iê   iê,  Índio  Quer   Apito   de   cor,   sorteado,   sem   salteados   ou   mesmo   com   “côr”.

 

No   atual   Pré-carnaval   aquela   mesma   geração   fazia   a   roda   dançante   no   mesmo   sentido   e   com   as   marcas   do   tempo:   rugas,   pesos,   diabetes,   hipertensão...   Os   mais   novos,   familiares,   assistiam   assentados    acompanhando   com    cerveja   e   enfados    os   seus   pais   e   avós   naquele   cortejo    cantante.    As   marchinhas   carnavalescas   eram   evocadas   pelas   lindas   cantoras   da   Cia   Elas   por   Elas.   Comparando   com   os   anos   60   havia   poucas   serpentinas   e   confetes.    Cediam   lugar,   apagando-se,    ao   brilho   de  fitas   metalizadas   que   emprestavam    brilho   e   alegria   ao   lugar.

 

No   intervalo   do   pré-carnaval   pós-moderno,    tocou   e   cantou-se    sucessos   do   Axé.   A   geração   que   sobreviveu   aos   cigarros,   “cuba   libre”,    “crush   em   hi-fi"    se   assentou   e   procurou   se   refrescar.   A   geração   dos   anos   noventa    agitou   e   coreografou    as   músicas    baianas. 

 

O   cronista   que   a   tudo   observava   como   agente   de   Cronos    era    visto   como   um    estranho   pela   sua   quase   imobilidade  –  às   vezes   arriscava   a   cantar   as   marchinhas.   Olhares   se   entreolhavam   absurdados.   O   historiador   registrava   os   processos. 

 

Somos    filhos   de   nosso   tempo,   todo   historiador   sabe   desta   máxima.   Mas... 

“Que   tiro   foi   este...  ”no   atual   sucesso   e   que   assusta   a   geração   acima    dos    vinte   anos    na    faixa   etária. 

 

Ao   escrever   isto   a    FM    acusa    o    ouvinte    que    ligou   e    pediu    para    tocarem    os   sucessos   do    Araketu. 

 

Rita   Lee   já   fez   sucesso    com    a    letra    da    música    que   indagava:

“Aí   meu   deus,   o   que   foi   que   aconteceu   com   música   popular    brasileira?”

 

Vou   aqui    parando   de    escrever   porque   já   fiz   um   carnaval    de   letras   e    frases,  concordâncias    e    discordâncias.

 

Enquanto   isto   lá    vem    a   Ala    das    Orações    Coordenadas   e   a    Ala   das   Orações   Subordinadas...    Por   que   mesmo   eu    tive   que   aprender    isto    nas   enfadonhas    aulas de    português    lecionadas    por    padres   e    advogados    da    época?

 

É   mesmo...   o    Brasil   é     o    país   do    Carnaval!

 

Leonardo Lisbôa

Barbacena, 04/02/2018.

 

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NOTA DA REDAÇÃO: Leonardo Lisbôa é professor da rede pública de ensino de Minas Gerais. Fez sua especialização em História na UFJF e seu mestrado em psicopedagogia na Universidade de Havana, Cuba. Publica textos também no sítio www.recantodasletras.com.br onde mantém duas escrivaninhas (Perfis): o primeiro utilizando o próprio nome 'Leonardo Lisbôa' e o segundo o de 'Poesia na Adega'.  Registro no CNPq: http://lattes.cnpq.br/0006521238764228

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