Take a fresh look at your lifestyle.

Cidades como “grandes armazéns dramáticos”

A opinião de Delton Mendes Francelino

0 561

Na obra Paris no século XX, Júlio Verne descreve criticamente a Paris do começo daquele século como uma cidade fascinante pelos trens automatizados, automóveis, iluminações que se assemelhavam ao Sol; uma cidade cheia de atrativos, mas, de certa forma vazia; carente de afetos e de relações entre as pessoas. O autor a caracteriza como um Grande Armazém Dramático, em que os homens “práticos e industriosos que obtiveram o privilégio dessa importante sociedade parisiense” (VERNE, 1995, p.170) tinham o controle sobre tudo, ou quase tudo.

Essa obra de Júlio Verne permite refletir sobre ética e estética ambientais e, claro, sobre a cultura. Os processos de ampliação dos meios urbanos, alavancados pela Revolução Industrial do século XIX, trouxeram, além de desenvolvimento tecnológico, severo e abismático afastamento e dissociação entre a humanidade e a natureza. Entre esses dois hiatos, a sociedade moderna territorializava outras maneiras de ver e sentir o mundo. Muitos autores defendem que essa visão e esse sentir do mundo pautavam-se na superficialidade da ligação das pessoas com seus corpos, suas subjetividades e o senso de comunidade, algo que Júlio Verne descreveu tão bem ao caracterizar a sociedade parisiense daquela época como um armazém dramático. Um espaço limitado e fechado, num drama que se percebia ser o drama mundial dos anos e século seguintes.

Hoje, na atualidade, as cidades ainda são verdadeiros espaços de drama, mas não um drama épico e com finais felizes, como tanto se propaga no cinema American Way Life (modo de vida americano). É um profundo abismo de dissociação entre a humanidade e a natureza; entre a relação individuo e sociedade. A pergunta que fica é: se há mais de 100 anos Júlio Verne já percebia o futuro nefasto das cidades e do mundo, por qual razão a humanidade teimou em entrar nesse processo? Ainda mais profundamente: qual será o futuro das cidades e do planeta diante do caos urbano que se assevera cada dia mais?

NOTA DA REDAÇÃO – Delton Mendes Francelino é Diretor Internacional do Instituto Curupira (MG, SP e EUA); Professor Col. Graduação em Ciências Biológicas/ IF Sudeste Campus Barbacena/MG; site: https://deltonmendes.wixsite.com/meioambiente; Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana e Educação Ambiental Crítica do IF Sudeste, Campus Barbacena, MG; Palestrante e professor: Meio Ambiente/ Ecocultura/Permacultura/Ecoeducação; Contato cel/+whatsapp:(32) 9 8451 9914

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.